Fumadores: mutação num gene quase duplica cancro do pulmão

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

04 junho 2014
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Um quarto dos fumadores com uma mutação no gene BRCA2, habitualmente associado ao cancro da mama, irá desenvolver cancro do pulmão, em algum momento das suas vidas, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Genetics”.

 

Os investigadores do Instituo de Investigação do Cancro, no Reino Unido, dão assim conta de uma associação, até à data desconhecida, entre o cancro do pulmão e uma mutação específica no gene BRCA2, que ocorre em cerca de 2% da população.

 

No estudo os investigadores, liderados por Richard Houlston, compararam o ADN de 11.348 europeus com cancro do pulmão com o de 134.861 indivíduos saudáveis, de forma a identificarem diferenças específicas no ADN.

 

O estudo apurou que a associação entre o cancro do pulmão e o gene BRCA2 afetado, conhecido por aumentar o risco de cancro da mama, ovário e outros tipos de cancro, era particularmente forte nos pacientes com o tipo mais comum de um dos subtipos de cancro, o cancro do pulmão das células escamosas. Foi também identificada uma associação entre este subtipo de cancro e uma mutação num segundo gene, o CHEK2. Este gene habitualmente impede as células de se dividirem após estas terem sofrido danos no ADN.

 

O nosso estudo demonstrou que as mutações nestes dois genes exercem um efeito considerável no risco de desenvolvimento do cancro para os fumadores. Na verdade o gene BRCA2 mutado aumenta o risco de desenvolvimento de cancro em cerca de 1,8 vezes”, referiu em comunicado de imprensa Richard Houlston.

 

“No geral os fumadores apresentam um risco 15% maior de desenvolver cancro do pulmão, comparativamente aos não fumadores. Os nossos resultados sugerem que aqueles com mutações no gene BRCA2 apresentam ainda um risco mais elevado, na ordem dos 25%”, acrescentou o investigador.

 

Os investigadores sugerem que no futuro, os pacientes com cancro do pulmão das células escamosas poderão beneficiar de fármacos especificamente desenhados para combater os cancros com mutações no gene BRCA . Os chamados inibidores PARP mostraram ter sucesso em ensaios clínicos do cancro da mama e ovário em pacientes com mutações no gene BRCA. Contudo, ainda não se sabe se estes poderão ter efeito no cancro do pulmão.

 


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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