Frutose das bebidas associada a gota nas mulheres

Estudo publicado no “Journal of American Medical Association"

28 dezembro 2010
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O consumo de bebidas ricas em frutose, como os refrigerantes, e o sumo de laranja foi associado a um risco aumentado de gota entre as mulheres, embora a sua contribuição para o risco da condição na população em geral seja modesto, dada a baixa taxa de incidência entre as mulheres, segundo dá nota um estudo da Universidade de Boston, nos EUA, publicado no “Journal of American Medical Association"(JAMA).

 

A gota é uma artrite inflamatória comum e dolorosa. E, segundo explicaram os autores, em comunicado enviado à imprensa, as bebidas ricas em frutose aumentam os níveis séricos de ácido úrico e, consequentemente, o risco de gota, embora os dados sobre esta relação sejam ainda limitados.

 

No trabalho, os cientistas, liderados por Hyon K. Choi, analisaram dados do Nurses Health Study, um estudo realizado nos EUA entre 1984 e 2006. Os investigadores analisaram dados de 78.906 mulheres sem antecedentes de gota que, no início do estudo forneceram informações sobre o consumo de bebidas e frutose através de um questionário de frequência alimentar validado.

 

Durante 22 anos de acompanhamento, os investigadores documentaram 778 casos diagnosticados de gota, de acordo com os critérios do Colégio Americano de Reumatologia. Verificaram que o aumento do consumo de bebidas açucaradas foi associado a um risco aumentado de gota. Em comparação com o consumo de menos de uma bebida por mês, as mulheres que consumiram uma porção por dia tiveram um aumento de 74% de risco de gota, e aquelas que tomaram mais de duas bebidas por dia tiveram 2,4 vezes maior risco. As bebidas dietéticas não foram associadas com o risco de gota.

 

O consumo de sumo de laranja também foi associado com um maior risco de gota. Comparadas com as mulheres que consumiam menos de um copo de sumo por dia, aquelas que bebiam um copo por dia tiveram um risco 41% maior de apresentar gota e o risco foi 2,4 vezes maior quando ingeriam dois ou mais sumos de laranja por dia. Além disso, em comparação com as mulheres que não tomavam frutose, as que consumiam maiores quantidades tiveram um risco de gota 62%.

 

Os autores indicam que, embora os riscos relativos de gota associados ao consumo de bebidas ricas em frutose entre as mulheres serem substanciais, as diferenças no risco absoluto correspondente foram modestas, dada a baixa incidência de gota entre as mulheres. Os cientistas acrescentaram ainda que estas descobertas têm implicações práticas para a prevenção da gota nas mulheres e que os médicos devem estar cientes dos potenciais efeitos destas bebidas sobre o risco da doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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