Frutose: como afeta a obesidade?

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

07 janeiro 2013
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O efeito da frutose no cérebro poderá explicar a sua associação com a obesidade, sugere um estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.
 

Estudos anteriores, realizados em animais, já tinham sugeriram que a frutose poderia aumentar a procura de alimentos e a sua ingestão. Foi também sugerido que o consumo deste açúcar produzia, em comparação com o de glucose, pequenos aumentos na concentração de hormonas em circulação associadas à saciedade. Contudo, até à data não se conheciam ao certo quais as regiões do cérebro que estavam envolvidas neste tipo de alterações.
 

De forma a investigar quais os fatores neurofisiológicos que poderiam explicar a associação entre o consumo de frutose e o aumento de peso, os investigadores da Yale University School of Medicine, nos EUA, contaram com a participação de 20 adultos saudáveis e com peso normal. Todos os participantes foram submetidos a duas ressonâncias magnéticas, antes e após o consumo de glucose ou frutose, de forma a avaliar as alterações ocorridas no fluxo sanguíneo no hipotálamo.
 

O estudo apurou que após o consumo de glucose, e comparativamente com o de frutose, ocorria uma redução significativa no fluxo sanguíneo no hipotálamo. “Contrariamente ao consumo de frutose, a ingestão de glucose ativou o hipotálamo, ínsula e o corpo estriado – regiões que estão associadas à regulação de apetite, motivação e processamento da recompensa. O consumo de glucose também aumentou as ligações funcionais entre rede do corpo estriado e hipotálamo e aumentou também a saciedade”, revelaram em comunicado de imprensa, os investigadores.
 

De acordo com um dos autores do estudo, Robert Sherwin, estes resultados sugerem que o cérebro responde de forma distinta ao consumo de glucose e frutose. A glucose fornece ao organismo a energia que este necessita. Quando esta não é suficiente, as células são ativadas para que o organismo a consuma em maior quantidade. Quando os níveis deste açúcar aumentam, o cérebro reprime a ativação das células. À luz dos resultados deste estudo, a frutose não parece ter este tipo de efeito.
 

“Se as áreas do cérebro associados ao consumo de alimentos não forem reprimidas, as pessoas têm tendência a comer mais”, explicou o investigador.
 

De acordo com Jonathan Q. Purnell da Oregon Health & Science University, nos EUA, as pessoas deviam fazer mais refeições em casa e limitar o consumo de alimentos processados que contêm frutose. O investigador também aconselha a um menor consumo de bebidas açucaradas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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