Frutose associada a doenças hepáticas em crianças e adolescentes

Estudo publicado na revista “Journal of Hepatology”

16 fevereiro 2017
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Um novo estudo indicou que o consumo de açúcar e a concentração de ácido úrico contribuem, de forma independente, para o desenvolvimento das doenças do fígado. 
 
O estudo, liderado por Valerio Nobili, Diretor do Laboratório da Unidade Hepatomatabólica de Doenças do Fígado do Hospital, Bambino Gesù, Itália, sugere que o consumo de frutose poderá fazer aumentar as concentrações de ácido úrico sérico e que a concentração de ácido úrico e o consumo de frutose poderão aumentar em indivíduos com doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).
 
A DHGNA consiste na acumulação adicional de gordura em indivíduos que consumem muito poucas ou nenhumas bebidas alcoólicas. Esta doença é a causadora de doença hepática em maior expansão nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Estima-se que esta doença afete até 30% da população nos países desenvolvidos e até 9,6% das crianças e 38% das crianças obesas num espetro de doenças hepáticas, incluindo a esteato-hepatite não-alcoólica (NASH, sigla em inglês).
 
A NASH é uma forma menos agressiva de DHGNA, mas, no entanto, pode progredir para fibrose e cirrose severa e os adultos podem desenvolver carcinoma hepatocelular. 
 
A equipa de investigadores apurou assim que tanto o consumo de frutose como as concentrações de ácido úrico sérico estão independentemente associados à NASH.
 
Para o estudo, os investigadores em Itália e Reino Unido contaram com a participação de 271 crianças e adolescentes obesos com DHGNA, com uma mediana de idades de 12,5 anos que foram submetidos a biópsia do fígado. Todos os pacientes completaram um questionário sobre os hábitos alimentares, indicando os alimentos específicos que consumiam a cada refeição, o tamanho das porções e com que frequência. 
 
Quase 90% dos participantes afirmaram beber refrigerantes uma ou mais vezes por semana. Quase 95% dos pacientes consumia de manhã e à tarde pizza, bolachas doces e salgadas, iogurtes e outros alimentos. A maioria da frutose que se consome é através de refrigerantes e outras bebidas açucaradas. 
 
Do grupo de participantes, 37,6% tinha NASH e 47% dos doentes com NASH evidenciavam níveis elevados de ácido úrico em comparação com 29,7% de pacientes que não sofriam de NASH. O consumo de frutose foi associado independentemente a níveis de ácido úrico elevados, o que ocorria mais frequentemente em pacientes com NASH do que sem aquela doença.
 
“Neste estudo, demonstrámos pela primeira vez que as concentrações de ácido úrico e o consumo de frutose estão associados à NASH de forma independente e positiva. O desenvolvimento de NASH pode afetar acentuadamente a esperança e qualidade de vida nas pessoas afetadas, sendo assim fundamental perceber os fatores de risco da NASH em crianças e adolescentes de forma a elaborarmos intervenções eficazes que possam ser usadas de forma segura para tratar este jovem grupo de pacientes”, afirmou Valerio Nobili. 
 
O consume da frutose poderá ser reduzido através da alteração de comportamentos, de uma educação nutricional e limitando o acesso aos refrigerantes e outras bebidas adocicadas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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