Fritos podem interagir com genes que influenciam o peso

Estudo publicado no “British Medical Journal”

24 março 2014
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O consumo de fritos mais de quatro vezes por semana provoca o dobro do efeito no índice de massa corporal (IMC) para os indivíduos com um risco genético mais elevado, comparativamente com aqueles com um risco mais baixo. O estudo publicado no “British Medical Journal” dá conta que a composição genética pode amplificar os efeitos de uma dieta pouco saudável.
 

A associação entre o consumo de fritos, as variantes genéticas e a adiposidade é bem conhecida. Contudo, até à data a relação entre dois fatores de risco relativamente ao IMC e a obesidade ainda não tinha sido avaliada.
 

Neste estudo, os investigadores da Escola de saúde Pública de Harvard, nos EUA, analisaram a interação entre o consumo de alimentos fritos e o risco genético associado à obesidade, em mais de 37.000 indivíduos.
 

Os investigadores, liderados por Lu Qi, utilizaram questionários de frequência alimentar para averiguar o consumo de alimentos fritos, tanto em casa como fora, bem como o resultado do risco genético tendo por base 32 variantes genéticas conhecidas por estarem associadas ao IMC e obesidade. Foram ainda identificadas três categorias de consumo de alimentos fritos: menos de uma vez por semana, uma a três vezes por semana e quatro ou mais vezes por semana.
 

Os autores do estudo observaram que as pontuações do risco genético oscilaram entre 0 e 64, sendo que os que tinham uma pontuação mais elevada tinham um maior IMC. Foi também levantada informação sobre o estilo de vida dos participantes.
 

O estudo apurou que existiam interações constantes entre o consumo de alimentos fritos e as pontuações de risco genético associadas ao IMC. Nos participantes com as terceiras pontuações de risco genético mais elevadas, as diferenças de IMC entre os indivíduos que consumiam alimentos fritos quatro ou mais vezes por semana e os que ingeriam menos de uma vez por semana eram de 1,0 kg/m2 nas mulheres e 0,7 kg/m2 nos homens.
 

Para os participantes com as terceiras pontuações de risco genético mais baixas, as diferenças foram de 0,5 kg/m2 nas mulheres e 0,4 kg/m2 nos homens.
 

Os autores do estudo referem que estes resultados podem ter sido afetados por outros fatores, apesar de terem cuidadosamente sido ajustados para vários fatores da dieta e estilo de vida. Contudo, estes achados sugerem que a associação entre o consumo de alimentos fritos e a adiposidade pode variar de acordo com as diferenças na predisposição genética e vice-versa, ou seja a influência da genética na adiposidade pode ser modificada pelo consumo de fritos.
 

“Os nossos resultados destacam a importância da redução do consumo de alimentos fritos na prevenção da obesidade, especialmente para os indivíduos geneticamente predispostos”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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