Frio ou quente?

Óculos medem a temperatura do cérebro

15 janeiro 2004
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Passar a noite a tapar-se e destapar-se, sem nunca encontrar o nível de aquecimento mais confortável, é parte do quotidiano de praticamente todos os seres humanos que dormem _ou melhor, que tentam dormir. Mas, segundo um investigador da Universidade Yale, EUA, os dias de inferno escaldante no Verão ou o frio congelante no Inverno estão contados.
 

 

O cientista trabalha no desenvolvimento de um sistema capaz de medir a temperatura do cérebro de um indivíduo em tempo real. Mas não se preocupe que o investigador Miguel Abreu não precisa de enfiar uma agulha na sua cabeça, ou alguma coisa do tipo. O procedimento é totalmente não-invasivo.
 

 

Para saber a temperatura corporal, o cientista usa uma região, identificada pelo próprio, que oferece uma ligação directa com o cérebro. É uma área no canto de cada um dos olhos, denominada «túnel de temperatura cerebral». É possível manter um adesivo no local, ou mesmo instalar um sensor em óculos, para obter a medição. Um transmissor enviaria então esses dados para um computador, e deste modo poder analisar as medidas que podem ser as mais variadas.
 

 

«Por exemplo, em automóveis, seria possível que o controlo de temperatura da cabine do veículo fosse feito automaticamente, regulando o ar quente ou o ar condicionado», afirma, acrescentando que deste modo poderia render uma economia de cinco a 10 por cento em combustível.
 

 

Uma aplicação semelhante seria no controlo da temperatura de um quarto, acabando com o sofrimento da alternância de calor e frio durante o sono. «O comportamento do corpo, em termos de temperatura, é diferente durante o sono», explica o cientista.
 

 

A preocupação que levou o cientista a desenvolver as bases para o sistema de medição da temperatura corporal (que tem o cérebro como o seu principal regulador) vem desde a faculdade.
 

 

«No hospital, notei que os pacientes tinham muito mais problemas à noite do que durante o dia, quando as enfermeiras tiravam a temperatura constantemente», disse. «Sendo a febre um indicativo forte de uma infecção, pensei que a medição em tempo real seria excelente para tomar as acções correctivas o mais rapidamente possível, sem ter de esperar pela próxima visita da enfermeira, às oito horas da manhã.»
 

 

Uma das aplicações mais evidentes, de facto, é a monitorização da temperatura dos doentes hospitalizados. Mas outras possibilidades se abrem quando um sistema desses estiver disponível.
 

 

Dentro dos próximos meses, estes óculos com a tecnologia serão lançados nos EUA. Em França, deve ocorrer até meados de 2004. O objectivo é lançá-los antes do Verão na Europa, para que as futuras ondas de calor não provoquem mais mortes, como ocorreu durante 2003.
 

Tudo porque, os óculos avisariam com antecedência sobre qualquer super-aquecimento do corpo, e a pessoa poderia beber água a tempo de evitar a hipertermia.
 

 

O estudo também poderia ser útil na pecuária. Um anel desenvolvido pelos cientistas pode ser colocado à volta dos olhos dos animais, enviando constantemente os dados sobre a sua temperatura. Com isso, seria possível identificar rapidamente animais com febre aftosa ou mesmo encefalopatia espongiforme (doença das vaca louca), em tempo de agir para evitar a contaminação do rebanho.
 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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