Frequência cardíaca pode prever convulsão epilética

Estudo publicado na revista “IEEE Transactions on Biomedical Engineering”

05 abril 2016
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Investigadores japoneses constataram que as convulsões epiléticas podem ser mais eficazmente previstas através da utilização de um eletrocardiograma para medição das flutuações da frequência cardíaca do que pela medição da atividade cerebral, uma vez que o dispositivo é mais fácil de utilizar, dá conta um estudo publicado na revista “IEEE Transactions on Biomedical Engineering”.
 
Na opinião dos investigadores da Universidade de Kumamoto, no Japão, ao fazer previsões mais precisas, é possível evitar ferimentos ou acidentes que possam resultar de um ataque epilético. Esta é uma contribuição significativa uma vez que estes pacientes podem viver sem se preocuparem com os possíveis ferimentos causados por uma convulsão inesperada.
 
A epilepsia é uma doença que afeta cerca de um por cento da população global. Esta doença crónica do cérebro é caracterizada por convulsões recorrentes em que ocorre uma excitação excessiva e repentina das células nervosas (neurónios) do cérebro.
 
O estudo refere que 70% dos pacientes com epilepsia são capazes de viver sem problemas devido à toma de antiepiléticos que impedem que as convulsões ocorram. No entanto, alguns pacientes são resistentes a este tipo de fármacos o que faz com que estejam constantemente com receio de sofrerem, a qualquer momento, um ataque epilético. Desta forma, o desenvolvimento de um método capaz de prever as crises epiléticas é algo há muito desejado.
 
As tentativas anteriores de previsão de ataques epiléticos através da medição da frequência cardíaca não têm sido muito eficazes. Tem sido difícil determinar a diferença entre a frequência cardíaca normal e a frequência cardíaca pouco antes do aparecimento de uma convulsão. Verificou-se também que as diferenças entre os pacientes foi grande, tendo ocorrido vários falsos positivos.
 
Neste estudo, os investigadores utilizaram um novo método, o controlo estatístico multivariado de processos (MSPC, sigla em inglês) para a avaliação da variabilidade da frequência cardíaca em 14 pacientes que tinham sido hospitalizados para monitorização.
 
O estudo apurou que esta abordagem produziu previsões precisas (91%) das convulsões epiléticas. Adicionalmente, estas previsões podem ser realizadas, em média, 8 minutos antes de a convulsão ter início. A diferença entre a frequência cardíaca normal e a pré-ictal (antes da convulsão) foi muito clara, tendo ocorrido poucos falsos positivos. Desta forma, estes resultados demonstram que é possível fazer previsões precisas das convulsões epiléticas.
 
"O próximo passo passa por desenvolver um dispositivo de previsão portátil. Com este tipo de dispositivo, os pacientes poderiam garantir a sua segurança antes de uma convulsão ocorrer. Uma vez que o dispositivo estaria ligado ao peito, sendo invisível externamente, os pacientes seriam capazes de ter vidas diárias normais aquando da sua utilização. Assim, não sentiriam receio de sofrerem lesões devido a uma convulsão inesperada”, concluiu um dos autores do estudo, Toshitaka Yamakawa
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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