Frequência cardíaca e pressão arterial elevadas associadas à ansiedade

Estudo publicado no “JAMA Psychiatry”

31 outubro 2016
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Uma frequência cardíaca elevada em repouso e uma pressão arterial elevada na juventude podem ser indicadores de uma suscetibilidade aumentada a distúrbios de ansiedade, esquizofrenia e distúrbio obsessivo compulsivo mais tarde na vida, sugere um estudo publicado no “JAMA Psychiatry”.
 
Muitas doenças mentais têm sido associadas a anomalias na função cardíaca e na pressão arterial. A frequência cardíaca e a pressão arterial são reguladas pelo sistema nervoso autónomo que controla as funções básicas do corpo. Contudo, até à data ainda não tinha sido realizada uma investigação exaustiva sobre se as discrepâncias na função do sistema nervoso autónomo poderiam prever o desenvolvimento de doenças psiquiátricas.
 
Para o estudo, os investigadores da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, e do Instituto Karolinska, na Suécia, analisaram os dados de 1.794.361 homens suecos cuja frequência cardíaca em repouso e a pressão arterial foram medidas no recrutamento militar, quando os indivíduos tinham em média 18 anos.
 
O estudo apurou que os homens que cuja frequência cardíaca em repouso era superior a 82 batimentos por minuto (bpm) durante a sua juventude eram 69% mais propensos a serem diagnosticados com distúrbio obsessivo-compulsivo, comparativamente com aqueles que tinham uma frequência cardíaca em repouso menor de 62 bpm. O risco de esquizofrenia aumentou 21% e de distúrbio de ansiedade 18%.
 
Os investigadores tiveram em conta vários fatores que poderiam contribuir para esta associação, nomeadamente índice de massa corporal, estado socioeconómico, origem étnica, capacidade cognitiva, assim como desempenho físico medido através de um teste de uma prova de esforço. No entanto, nenhum destes fatores pareceu influenciar a associação entre os distúrbios psiquiátricos e o ritmo cardíaco ou pressão arterial. Os participantes foram acompanhados ao longo de uma média de 32 anos.
 
Antti Latvala, líder do estudo, referiu que estes resultados são interessantes, uma vez que fornecem novas informações sobre o papel do sistema nervoso autónomo nos distúrbios psiquiátricos.
 
O investigador concluiu que estes resultados indicam que as diferenças nas respostas fisiológicas, como as reações ao stress, estão associadas ao risco de distúrbio mentais. Por outro lado, também se sabe que as doenças mentais estão associadas a um aumento do risco da doença cardiovascular.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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