Formação musical pode melhorar função executiva

Estudo publicado na revista “Plos One”

23 junho 2014
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A formação musical durante a infância pode melhorar a função executiva das crianças e dos adultos, sugere um estudo publicado na revista “Plos One”.
 

As funções executivas são processos cognitivos de níveis complexos que estão envolvidos no processamento e retenção da informação, na regulação de comportamentos, na tomada de decisões, na resolução de problemas, etc.
 

Apesar de estudos anteriores já terem constatado que a formação musical estava associada às capacidades cognitivas, poucos foram aqueles que analisaram os seus efeitos na função executiva em particular. Mesmo os estudos realizados nesta área conduziram a resultados discrepantes.
 

Agora neste estudo, os investigadores do Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, decidiram aprofundar estes efeitos contanto para tal com a participação de crianças com idades compreendidas entre os nove e os doze anos, 15 das quais tinham formação musical e 12 que funcionaram como grupo de controlo. As crianças incluídas no primeiro grupo tinham, em média, tocado um instrumento musical ao longo de 5,2 anos, praticavam cerca de 3,7 horas semanais e tinham começado a sua formação por volta dos 5,9 anos. O estudo incluiu ainda a participação de 15 músicos adultos e outros 15 adultos sem qualquer formação musical específica.
 

Os investigadores tiveram em conta a educação parental, a situação laboral dos pais e dos próprios participantes, bem como o rendimento familiar. Os participantes foram submetidos a uma bateria de testes cognitivos e simultaneamente a ressonâncias magnéticas funcionais.
 

Os testes cognitivos realizados aos músicos e às crianças com formação musical demonstraram que estes participantes tinham melhores resultados em vários parâmetros da função executiva. As ressonâncias magnéticas demonstraram que as crianças com formação musical apresentavam uma maior atividade em áreas específicas do córtex pré-frontal aquando da realização de um teste que as obrigava a trocar de tarefas mentais. Estas áreas, a área motora suplementar, o córtex pré-frontal ventrolateral direito, são conhecidos por estarem associadas à função executiva.
 

“Uma vez que o funcionamento da função executiva é um forte indicador do rendimento académico, mais até que o quociente de inteligência, acreditamos que os nossos resultados têm várias implicações educativas. Apesar de muitos estabelecimentos de ensino estarem a reduzir os programas de formação musical e a dedicar mais tempo à preparação dos exames, os nossos resultados sugerem que a formação musical pode ajudar as crianças a terem um futuro académico melhor”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Nadine Gaab.
 

Os autores do estudo referem ainda que este estudo poderá ter também importantes implicações nas crianças e adultos com problemas na função cognitiva, nomeadamente as crianças com défice de atenção e hiperatividade, e os idosos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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