Formação musical pode aguçar processamento da linguagem

Estudo publicado no “The Journal of Neuroscience”

20 setembro 2013
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Os indivíduos que são capazes de se movimentar ritmadamente apresentam respostas cerebrais ao discurso mais coerentes que aqueles com menos ritmo. O estudo publicado no “The Journal of Neuroscience” sugere que a formação musical poderá aguçar a resposta do cérebro à linguagem.
 

Já há muito que se sabe que o movimento ritmado requer a sincronização entre as partes do cérebro responsáveis pela audição e movimento. Neste estudo, os investigadores da Universidade de Northwestern, nos EUA, decidiram investigar se havia uma associação entre a capacidade de manter o ritmo e a resposta do cérebro ao som.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 100 adolescentes, os quais foram convidados a ouvir e a acompanhar com o batimento dos dedos o som emitido por um metrónomo, um instrumento que produz um som ritmado e ajuda os músicos a tocar a ritmo preciso. A precisão com que os participantes acompanhavam o metrónomo foi monitorizada.

 

Os adolescentes foram também sujeitos a um segundo teste no qual foi utilizado uma técnica conhecida por eletroencefalografia. Este teste teve como objetivo registar as ondas cerebrais envolvidas no processamento som à medida que os participantes escutavam um som emitido pela sílaba “da”, que foi repetida periodicamente ao longo de 30 minutos. Posteriormente, os investigadores calcularam como as células nervosas respondiam cada vez que o som era repetido.
 

O estudo apurou que quanto mais preciso eram os batimentos produzidos pelos adolescentes mais consistente era a resposta do cérebro à audição da sílaba “da”. Uma vez que estudos anteriores demonstraram que havia uma associação entre a capacidade de leitura e a capacidade de manter um ritmo, assim como a capacidade de ler e a consistência da resposta do cérebro ao som, uma das autoras do estudo, Nina Kraus, explica que estes novos resultados sugerem que a audição é a base comum destas associações.
 

“O ritmo é uma parte inerente da música e linguagem. Talvez a formação musical, com foco nas capacidades rítmicas, exercite o sistema auditivo, provocando uma forte associação entre o som e o seu significado que são essenciais para aprender a ler”, explicou a investigadora.
 

Na opinião de um investigador da Universidade da Califórnia, nos EUA, estes resultados sugerem que a formação musical pode ter um importante impacto no cérebro.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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