Fonte da juventude mapeada

Estudo publicado na “Nature Genetics”

02 abril 2013
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Uma equipa internacional de investigadores mapeou pela primeira vez a telomerase, uma enzima que tem uma espécie de efeito rejuvenescedor no envelhecimento celular, dá conta um estudo publicado na “Nature Genetics”.
 

O mapeamento da “fonte da juventude”, ou seja da telomerase (uma enzima capaz de reparar as extremidades dos cromossomas), é o resultado de um projeto que envolveu mais de 1.000 investigadores em todo o mundo e amostras de sangue de cerca de 200.00 indivíduos.
 

“Descobrimos que as diferenças no gene telomérico estão associadas com o risco de desenvolvimento de vários cancros e com o comprimento dos telómeros. Verificámos, com alguma surpresa, que as variantes que causam as doenças não são as mesmas que estão envolvidas no comprimento dos telómeros. Estes resultados sugerem que a telomerase desempenha um papel mais complexo do que aquele que tinha sido assumido previamente”, revelou, em comunicado de imprensa, Stig E. Bojesen da University of Copenhagen, Dinamarca.
 

O mapeamento da telomerase é uma descoberta importante uma vez que esta é uma enzima básica da biologia celular, reajustando o tamanho dos telómeros para que estes tenham o mesmo comprimento antes de iniciarem a divisão celular. “O mapeamento da telomerase pode, entre outras coisas, aumentar o conhecimento sobre o cancro e o seu tratamento”, refere o investigador.
 

O estudo explica que o corpo humano tem cinquenta biliões de células e cada célula tem 46 cromossomas, que são as estruturas no núcleo que contêm o nosso material hereditário, o ADN. As extremidades dos cromossomas são protegidas pelos chamados telómeros. Os telómeros têm como função proteger os cromossomas da mesma forma que bainhas de plástico protegem os cordões dos sapatos. Contudo, de cada vez que as células se dividem, os telómeros ficam mais curtos, e eventualmente, acabam por ficar demasiado pequenos para proteger os cromossomas.
 

Os autores do estudo referem ainda que existem células específicas que podem ativar a telomerase, a qual pode aumentar o tamanho dos telómeros. As células sexuais, ou as células estaminais têm de ter a capacidade de se dividir mais do que as células normais. Infelizmente as células cancerígenas descobriram este truque sendo capazes de produzir a telomerase e de se manterem artificialmente jovens. Desta forma, o gene que codifica a telomerase tem um papel muito importante na biologia do cancro, e é precisamente através da identificação dos genes cancerígenos que os investigadores acreditam conseguir aumentar a taxa de identificação e do tratamento.
 

"Um gene é como um país. Ao mapeá-lo, pode-se saber o que está a ocorrer nas várias cidades. Uma das cidades poderia ser chamada de Terra da telomerase que determina se um indivíduo vai desenvolver cancro de mama ou do ovário, enquanto outras partes do gene determinam o comprimento dos telómeros. Resumindo, os nossos resultados são muito surpreendentes e apontam em várias direções. No entanto, tal como em todas as boas investigações, o nosso trabalho fornece muitas respostas, mas deixa também ainda mais perguntas", conclui Stig E. Bojesen.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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