Fobias e a terapia de exposição

Estudo publicado na revista “Behaviour Research and Therapy”

04 março 2013
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Os indivíduos que sofrem de fobias devem alterar as atitudes negativas alimentadas pela memória face aos objetos ou eventos que lhes causam medo, de forma a conseguirem alcançar uma recuperação mais duradoura, refere um estudo publicado no "Behaviour Research and Therapy".
 

É bem conhecido entre os psicólogos que o retorno do medo é comum nos meses após a terapia de exposição para as pessoas com fobias. Para os investigadores da Ohio State University isto ocorre porque o tratamento tende a focar-se na construção de capacidades para lutar contra o medo. O que, por vezes, não é trabalhado é a atitude negativa automática que assola a pessoa com uma fobia.
 

Na terapia de exposição, as pessoas podem aprender algumas ferramentas para controlar o medo que fica automaticamente ativado e serem capazes de reagirem bem, mesmo apesar da ativação. Mas se apenas isto for trabalhado, as pessoas irão muito provavelmente continuar com o problema pois haverá situações onde a confiança irá ser corrompida e não vão ser capazes de gerir o medo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Russell Fazio.
 

"O tratamento pode realmente mudar a probabilidade do medo ser ativado automaticamente. Nós argumentamos que o tratamento irá proporcionar uma melhoria mais persistente se conseguir mudar a atitude”, acrescentou o investigador.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 40 adultos, com idades compreendidas entre 18 e 46 anos, que preenchiam os critérios de transtorno de ansiedade social no contexto de falar em público. Os participantes foram submetidos a série de questionários para medição do medo tendo também sido registado o batimento cardíaco e unidades subjetivas de angústia enquanto os participantes estavam a fazer um discurso, em momentos diferentes do estudo.
 

Durante o tratamento, foi dado a cada participante três minutos para preparar um discurso de cinco minutos sobre dois temas selecionados de forma aleatória. Os discursos foram entregues antes de serem apresentados a uma pequena plateia e na frente de uma câmara de vídeo. O tratamento global incluiu uma discussão inicial sobre a ansiedade de falar em público e quatro destes ensaios de exposição. Os participantes também completaram uma ferramenta de avaliação, intitulada Personalized Implicit Association Test, antes e após o tratamento.
 

O estudo apurou que, em média, o medo dos participantes diminui após a conclusão do tratamento. Contudo, um mês depois, o medo tinha retornado em cerca de 49,2% dos participantes. Os resultados do teste de associação mostraram que pessoas com atitudes negativas persistentes foram os únicos cujo medo de falar em público retornou.
 

Os investigadores verificaram que aqueles em que as atitudes permaneceram negativas apresentavam um batimento cardíaco mais acelerado e níveis de ansiedade maiores, um mês após o tratamento.
 

Os investigadores esperam progredir com o estudo de forma a desenvolver componentes suplementares à terapia de exposição de forma a atacar a ativação das atitudes negativas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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