Flora intestinal pode ajudar a impedir o cancro?

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

18 abril 2016
  |  Partilhar:

Investigadores americanos sugerem que, para além de causarem e impedirem a obesidade e outras doenças, as bactérias intestinais podem reduzir o risco de alguns tipos de cancro, dá conta um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, sugere que as bactérias anti-inflamatórias intestinais podem abrandar ou interromper alguns tipos de cancro. Na opinião de um dos autores do estudo, Robert Schiestl, os médicos poderão em última instância analisar os níveis e tipos de bactérias intestinais no organismo e prescrever probióticos para substituir ou reforçar a quantidade de bactérias com propriedades anti-inflamatórias.
 

Durante milhões de anos as bactérias intestinais evoluíram em bactérias benéficas e prejudicais. As benéficas adquiriram propriedades anti-inflamatórias e as prejudiciais promovem a inflamação.
 

No estudo, os investigadores isolaram uma bactéria, a Lactobacillus johnsonii 456, a bactéria benéfica mais abundante e que tem aplicações para além da medicina. Verificou-se que esta bactéria reduziu danos nos genes e a inflamação que está presente em muitas doenças, incluindo o cancro, doenças neurodegenerativas, doença cardíaca, artrite, lúpus, bem como no processo de envelhecimento.
 

Um estudo anterior liderado por Robert Schiestl já tinha demonstrado que havia uma relação entre a flora intestinal e o desenvolvimento de linfoma, um cancro que tem origem no sistema imunitário. Agora, este estudo explica como a flora intestinal pode atrasar o desenvolvimento do cancro, sugerindo que os probióticos podem evitar a formação da doença.
 

Nos dois estudos, os investigadores utilizaram ratinhos com uma mutação que os tornava mais suscetíveis a sofrer duma doença neurológica, a ataxia telangiectasia ou síndrome de Louis–Bar. Esta condição, que afeta uma em cada 100 mil pessoas, está associada a um aumento do risco de leucemia, linfomas e outros cancros.  
 

Os ratinhos foram divididos em dois grupos. A um dos grupos foram administradas apenas bactérias anti-inflamatórias e a outro uma mistura de bactérias inflamatórias e anti-inflamatórias que coexistem habitualmente nos intestinos.
 

Os investigadores verificaram que os ratinhos que receberam apenas as bactérias benéficas produziam metabolitos, moléculas produzidas pela ação metabólica do intestino, conhecidos por impedir o cancro. Estes animais também apresentavam um metabolismo da gordura e oxidativo mais eficaz, o que, na opinião dos investigadores, também poderia diminuir o risco de cancro.
 

O estudo apurou ainda que, nos ratinhos que apenas tinham recebido as bactérias benéficas, o linfoma desenvolveu-se no dobro do tempo, tendo os animais vivido quatro vezes mais e apresentado menos danos no ADN e inflamação.
 

Na opinião dos investigadores, estes achados sugerem que a manipulação da composição microbiana pode ser utilizada como uma estratégia eficaz para impedir ou aliviar a suscetibilidade ao cancro.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.