Flora intestinal infantil: quais o fatores que a afetam?

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

20 junho 2016
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Uma análise às alterações da população microbiana intestinal ao longo dos primeiros três anos de vida revelou alguns dos impactos de fatores como o modo de nascimento e exposição a antibióticos, incluindo efeitos de múltiplos tratamentos com antibióticos. Esta investigação foi publicada na revista “Science Translational Medicine”.
 
O estudo, levado a cabo pelos investigadores do Hospital Geral de Massachusetts e do Instituto Broad, nos EUA, poderá ajudar a perceber como a flora intestinal se estabelece e como a combinação de microrganismos nas crianças pode contribuir para o risco de desenvolvimento de condições, como diabetes tipo 1 e doença inflamatória do intestino.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 39 crianças, das quais foram recolhidas amostras de fezes desde que nasceram até aos 36 meses de idade. Ao longo do período de estudo, 20 dos participantes realizaram entre 9 a quinze tratamentos com antibióticos para tratar infeções respiratórias e otites.
 
O estudo apurou que muitas das características da flora intestinal eram consistentes em todos os participantes, com a presença e abundância de espécies específicas a aumentarem e a diminuírem em idades semelhantes. 
 
Estudos anteriores constataram que, comparativamente com as crianças alimentadas com leite de fórmula, as que ingeriram leite materno tinham um aumento na abundância de espécies de Bifidobactéria. Todos os bebés do estudo foram amamentados durante algum tempo e, apesar de se ter observado uma relação entre a duração da amamentação e os níveis de Bifidobactéria, algumas crianças apresentaram níveis baixos desta bactéria. 
 
Estudos anteriores também encontraram uma assinatura específica do microbioma, com baixa abundância do género Bacteriodes ao longo dos primeiros seis meses de vida nas crianças nascidas por cesariana. No estudo atual, o mesmo padrão foi observado em quatro crianças nascidas por cesariana, mas também em sete que tiveram um parto natural. 
 
As crianças expostas a antibióticos apresentaram uma redução da diversidade da população microbiana. Esta diferença foi ainda maior naquelas que também apresentavam níveis baixos de Bacteriodes. Verificou-se que, comparativamente com as crianças que não foram expostas aos antibióticos, aquelas que receberam tratamento com antibióticos tinham tendência a apresentar espécies bacterianas menos diversificadas e dominadas por uma única estirpe.
 
A presença de genes conhecidos por conferir resistência a antibióticos aumentou rapidamente durante o tratamento com antibióticos. Os níveis de genes de resistência codificados nos cromossomas microbianos diminuiu rapidamente após o tratamento ter sido interrompido. Contudo, os genes de resistência codificados em pequenas moléculas de ADN persistiram muito para além da interrupção do tratamento com antibiótico.
 
“Algumas das coisas que gostaríamos de investigar a seguir têm a ver com a forma como o microbioma se estabelece durante a primeira semana de vida – especialmente quais são os principais mecanismos de transmissão –, de que maneira a composição da flora intestinal no início de vida afeta a saúde das crianças, e quais os fatores que estão na base da resiliência do microbioma infantil”, concluiu um dos autores do estudo, Ramnik Xavier.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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