Flora intestinal está associada à esclerose múltipla?

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

13 maio 2016
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As bactérias que habitam o intestino podem influenciar remotamente a atividade de células cerebrais envolvidas no controlo da inflamação e neurodegeneração, sugere um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 
No estudo, os investigadores do Hospital Brigham and Women, nos EUA, utilizaram modelos pré-clínicos para a esclerose múltipla e amostras de pacientes com a doença, tendo verificado que alterações na dieta e na flora intestinal poderiam influenciar os astrócitos no cérebro e, consequentemente, a neurodegeneração, o que sugere novos alvos terapêuticos.
 
Francisco Quintana, o líder do estudo, refere que pela primeira vez foi identificado que os alimentos têm algum tipo de controlo remoto na inflamação do sistema nervoso central. “O que comemos influencia a capacidade de as bactérias intestinais produzirem moléculas, algumas das quais capazes de viajar até ao cérebro”, referiu, em comunicado de imprensa, o investigador.
 
Estudos anteriores tinham sugerido que havia uma ligação entre o microbioma intestinal e a inflamação do cérebro. Contudo, ainda não estava claro como estes estavam associados e como a dieta e os produtos microbianos influenciavam esta associação.
 
De forma a aprofundar melhor esta ligação, os investigadores realizaram uma análise dos astrócitos, células em forma de estrela encontradas no cérebro e na espinal medula, num modelo animal da esclerose múltipla, identificando uma via molecular envolvida na inflamação.
 
O estudo apurou que as moléculas derivadas do triptofano, um aminoácido encontrado nas bananas, grão-de-bico, amendoins, leite, carne e peixe, atuam nesta via. Verificou-se que quanto maior é a presença destas moléculas, mais os astrócitos são capazes de limitar a inflamação. Os investigadores verificaram que as amostras de sangue de pacientes com esclerose múltipla apresentavam níveis baixos destas moléculas derivadas do triptofano.
 
Francisco Quintana refere que os défices na flora intestinal, na dieta, na capacidade de absorção ou no transporte destes produtos desde o intestino podem conduzir a défices que contribuem para a progressão da doença.
 
Os cientistas estão a planear investigar, em estudos futuros, esta via e o papel da dieta de forma a determinar se os novos achados podem ser traduzidos em alvos terapêuticos e biomarcadores para o diagnóstico e deteção da progressão da doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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