Flora intestinal está associada à doença de Parkinson

Estudo publicado na revista “Cell”

06 dezembro 2016
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A flora intestinal pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento da doença de Parkinson, um achado que pode conduzir ao desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para esta doença neurodegenerativa, sugere um publicado na revista “Cell”.
 

A doença de Parkinson afeta aproximadamente um milhão de pessoas e 1% da população dos Estados Unidos com mais de 60 anos de idade. Esta condição é causada pela acumulação da proteína α-sinucleína com conformação alterada nos neurónios, conduzindo a efeitos particularmente tóxicos em células produtoras de dopamina localizadas em regiões cerebrais que controlam o movimento. Como consequência, os pacientes apresentam movimentos lentos e comprometimento da marcha. As terapias de primeira linha atuais centram-se no aumento dos níveis de dopamina no cérebro. Contudo, este tipo de terapias podem causar efeitos colaterais graves e frequentemente perdem eficácia ao longo do tempo.
 

Com o intuito de encontrar tratamentos mais seguros e mais eficazes, os investigadores do Instituto de Tecnologia de Califórnia, nos EUA, decidiram focar-se na flora intestinal.
 

Os pacientes com doença de Parkinson têm uma flora intestinal alterada e problemas gastrointestinais, como a obstipação, que muitas vezes surgem anos antes dos défices motores se desenvolverem. Adicionalmente, tem-se verificado que os microrganismos intestinais influenciam o desenvolvimento neuronal, capacidades cognitivas, ansiedade, depressão e autismo. Contudo, ainda não existem evidências do papel dos microrganismos intestinais nas doenças neurodegenerativas.
 

No estudo, os investigadores, liderados por Sarkis Mazmanian, desenvolveram ratinhos geneticamente modificados com sintomas semelhantes à doença de Parkinson os quais foram colocados em gaiolas normais ou num ambiente sem microrganismos.
 

Os investigadores constataram que os animais criados em gaiolas sem microrganismos apresentavam menos défices motores e uma menor acumulação de agregados proteicos com uma conformação alterada nas regiões cerebrais envolvidas no controlo do movimento.
 

O estudo apurou também que o tratamento com antibióticos produziu um efeito semelhante ao do ambiente sem microrganismos, no que diz respeito à melhoria dos sintomas motores em ratinhos como predisposição para doenças do tipo da doença de Parkinson.
 

Contudo, quando os ratinhos criados em gaiolas sem microrganismos foram tratados com ácidos gordos de cadeia curta ou receberam transplantes fecais de microrganismos intestinais de pacientes com doença de Parkinson apresentaram piores sintomas motores.
 

Estes achados sugerem que os microrganismos intestinais exacerbam os sintomas motores, criando um ambiente que pode favorecer a acumulação de agregados proteicos com conformação alterada. Contudo, os cientistas referem que os antibióticos ou transplantes fecais ainda estão longe de serem terapias viáveis.
 

Os cientistas concluem que é importante identificar quais os microrganismos patogénicos que podem contribuir para um maior risco de doença de Parkinson ou para o desenvolvimento de uma sintomatologia mais grave. Em estudos futuros os investigadores vão também tentar identificar quais as bactérias que poderão proteger os pacientes de um declínio motor. A identificação de espécies ou metabolitos microbianos que estão alterados na doença de Parkinson podem funcionar como biomarcadores de doenças ou mesmo como alvos de fármacos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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