Flora intestinal afeta memória?

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

24 maio 2016
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Um tipo específico de células imunitárias atua como intermediário entre as bactérias intestinais e o cérebro, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 

Os intestinos e o cérebro comunicam entre si através de hormonas, produtos metabólicos ou ligações neuronais diretas. No estudo, os investigadores do Centro Max Delbrück para a Medicina Molecular, na Alemanha, descobriram que uma população específica de monócitos atua como uma ligação adicional.
 

No estudo, os investigadores administraram antibióticos a um grupo de ratinhos de forma a estes ficarem sem bactérias intestinais. Os animais submetidos ao tratamento apresentaram menos células nervosas recém-formadas numa região do cérebro conhecida por hipocampo, comparativamente com aqueles que não receberam o tratamento. A memória dos ratinhos tratados também ficou afetada, uma vez que a formação de novas células nervosas, um processo conhecido por neurogénese, é importante para determinadas funções de memória.
 

Os investigadores, liderados por Helmut Kettenmann, também verificaram que uma população específica de células imunitárias, os monócitos Ly6C(hi), diminuiu significativamente quando a flora intestinal foi eliminada.
 

De forma a verificar se os monócitos Ly6C(hi) eram responsáveis pelas alterações na neurogénese e memória, os investigadores compararam os ratinhos que não tinham sido tratados com os que tinham uma flora intestinal normal, mas que apresentavam níveis baixos de monócitos Ly6C(hi). Verificou-se que os ratinhos com níveis baixos de monócitos Ly6C(hi) apresentavam os mesmos problemas de memória que os animais que tinham perdido a flora intestinal. Contudo, quando os níveis de monócitos Ly6C(hi) foram repostos nos ratinhos tratados com antibióticos a neurogénese e a memória melhoraram.
 

O estudo constatou que os efeitos dos antibióticos poderiam ser revertidos através da toma de probióticos ou da prática de exercício. Verificou-se que o número de monócitos aumentou e a memória e a neurogénese melhoraram.
 

"Com os monócitos Ly6C(hi), talvez tenhamos descoberto uma nova via de comunicação da periferia para o cérebro”, referiu, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Susanne Wolf.
 

No que diz respeito à aplicação dos resultados nos humanos, os investigadores referem que estes não demonstram que os antibióticos afetam a função cerebral, uma vez que a combinação de fármacos utilizada no estudo foi extremamente potente. Contudo, Susanne Wolf refere que é possível obter talvez os mesmos resultados com tratamentos prolongados com antibióticos.

 

A investigadora conclui que este estudo é pertinente no âmbito do tratamento dos indivíduos com doenças mentais, como a esquizofrenia ou depressão, que também têm problemas na neurogénese. “Para além da medicação e prática de exercício, estes pacientes podem também beneficiar da toma de probióticos”, acrescentou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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