Flexibilidade comportamental: proteína foi identificada

Estudo publicado na “Cell”

30 maio 2012
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Investigadores americanos identificaram uma proteína necessária para a manutenção da flexibilidade do comportamento, a qual permite modificar o comportamento perante circunstâncias similares a outras previamente vividas, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.

 

As memórias armazenadas resultantes de experiências anteriores permitem repetir determinadas tarefas. Contudo, por vezes as circunstâncias alteram-se um pouco sendo necessário fazer determinados reajustes. A flexibilidade de comportamento permite que as pessoas façam essas alterações para conseguirem com sucesso levar a cabo determinada tarefa. Este tipo de flexibilidade é, em parte, controlada pela síntese proteica que produz alterações dependentes da experiência, na função neuronal e no comportamento.

 

No entanto, este processo é por vezes afetado o que impede que ocorra um ajuste no comportamento quando as pessoas são confrontadas com circunstâncias diferentes. Neste estudo, os investigadores do estudo do NYU's Center for Neural Science, nos EUA, procuraram entender como a síntese de proteínas é regulada durante a flexibilidade comportamental, focando a sua atenção numa enzima que regula a síntese proteica, a cinase PERK.

 

Os investigadores utilizaram ratinhos que expressavam ou não esta enzima, tendo-os colocado a percorrer um labirinto com água, o qual incluía uma plataforma para os animais saírem da água. O estudo apurou que os dois grupos de ratinhos foram capazes de completar o desafio com sucesso. Contudo, numa segunda parte da experiência e para testar a flexibilidade comportamental, os investigadores moverem a plataforma para outro local.  Os ratinhos que expressavam a PERK conseguiram localizar a plataforma, mas os ratinhos do grupo controlo não a conseguiram localizar, ou demoram um tempo significativamente maior para consegui-lo.

 

De forma a apoiar a tese de que a PERK poderia estar envolvida na flexibilidade do comportamento, os investigadores também analisaram amostras do córtex frontal humano de indivíduos com esquizofrenia, que muitas vezes apresentam inflexibilidade de comportamentos, e de outros indivíduos saudáveis. Foi verificado que enquanto as amostras destes últimos apresentavam níveis normais de PERK, as dos indivíduos com esquizofrenia tinham quantidades menores desta proteína.

 

“Uma vasta gama de doenças neurológicas e neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer, doença de Parkinson e síndrome X Frágil, tem sido associada a uma síntese proteica disfuncional”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Eric Klann. “Os nossos resultados mostram a importância da PERK na manutenção da flexibilidade do comportamento e como a sua ausência pode estar associada à esquizofrenia. Investigações futuras, que clarifiquem o papel desta proteína na regulação da síntese proteica no cérebro, poderão conduzir ao desenvolvimento de novas estratégias capazes de atuar em distúrbios neurológicos debilitantes, como é o caso da esquizofrenia e do autismo, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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