Fisioterapia e choques eléctricos fazem tetraplégico andar

Terapia dupla promete ajudar doentes graves

04 fevereiro 2002
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Ken Paulson, um norte-americano de 43 anos e tetraplégico há três anos e meio, conseguiu andar, com baixo esforço, cerca de 200 metros . Esta proeza deveu-se a uma combinação de fisioterapia e choques eléctricos na espinal medula aplicada pela equipa de investigadores Richard Herman e Jiping He. Para os especialistas, embora pareça milagre, na verdade, é pura realidade.
 

 

Herman e He, cientistas da Universidade Estadual do Arizona, EUA, desenvolveram a terapia que une duas técnicas já conhecidas de estimulação de movimentos. Uma delas consiste em treinar o andar coordenado numa passadeira, usando para tal um sistema que suspende parcialmente o paciente e, deste modo, diminui o peso sobre os membros. A outra, em implantar eléctrodos na medula abaixo do local da lesão.
 

 

Esta nova terapia conjugada pode ser uma promessa na reabilitação de doentes que sofram de lesões na espinal medula. "O objectivo do estudo é determinar se podemos promover o andar funcional de pacientes com lesões na medula que dependem de cadeira de rodas", afirmou Herman. "Andar funcional" compreende a capacidade de levantar da cadeira de rodas e andar sem ajuda até a mesa, à casa de banho ou à cama, de forma coordenada.
 

 

Ken Paulson, que passa a ter mais qualidade de vida, sofreu uma lesão parcial da medula entre a quinta e a sexta vértebras do pescoço, mas manteve alguma sensibilidade nos membros e, antes do tratamento, já era capaz de se levantar, mas não de andar funcionalmente.
 

 

Após quatro meses de treino e implantes dos eléctrodos, adquiriu essa capacidade - embora ainda precise de andarilho. Mas o método de Herman e He é de tal modo promissor que a equipa está a pensar estender a terapia a pacientes com lesões mais severas.
 

 

As conclusões do trabalho foram publicadas na edição de Fevereiro da revista médica Spinal Cord(www.nature.com/sc).
 

Antes de receber os eléctrodos, Paulson já estava a ser submetido a sessões na passadeira. A fisioterapia, iniciada em Janeiro de 2000, melhorou a coordenação motora nas caminhadas curtas fora da passadeira (de até 15 metros), mas o paciente levava 2,5 minutos para realizar o trajecto.
 

 

Depois de treino na passadeira, o paciente foi operado para lhe ser colocado um implante de um par de eléctrodos e, após a recuperação da cirurgia, Paulson voltou às caminhadas.
 

 

Segundo os investigadores, os impulsos eléctricos deram a Paulson uma sensação de "leveza" que passou a caminhar na passadeira completamente apoiado nas pernas (sem o sistema de suspensão parcial) e a efectuar distâncias de até 270 metros. O tempo gasto para percorrer os 15 metros do exercício inicial rondava menos de um minuto o tempo gasto um ano após o início do tratamento.
 

 

Também foram medidos o consumo de oxigénio e a oxidação de gordura, que servem como índice da energia despendida para realizar as tarefas. Após a estimulação eléctrica, o consumo de oxigénio foi reduzido em 36 por cento.
 

 

Quando deseja caminhar, Paulson coloca um disco sobre a pele na região dos eléctrodos. Esse disco recebe sinais enviados de um aparelho remoto que excitam os circuitos da espinal medula, responsável pelo movimento e pelo ritmo, explicou o cientista.
 

 

Mesmo assim, Paulson terá de continuar a usar a cadeira de rodas. "Mas, em casa e em ambientes que frequente, acreditamos que vai conseguir levantar-se e dar vários passos sozinho", assegurou He.
 

 

Apesar de animados com o potencial da combinação das duas técnicas, os cientistas advertem que o tratamento ainda é experimental e, até agora, está restrito a um único paciente.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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