Fingir doença pode elevar a auto-estima

Estudo avalia comportamento perante problemas de saúde

25 fevereiro 2004
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As pessoas que fingem ou exageram doenças e lesões podem estar a agir dessa forma para conseguir benefícios com a atenção obtida.Segundo um estudo da Universidade do Alabama em Tuscaloosa, parece possível que exista alguma vantagem social e psicológica no facto de estar doente, além dos benefícios mais óbvios como ganhar presentes e poder faltar à escola ou ao trabalho.Por outro lado, adianta o estudo, também parece possível que as pessoas que se apresentam como tendo um fascínio por problemas médicos ou usam a doença como uma oportunidade de exibir conhecimentos médicos, poderiam ter esta conduta como um modo de obter estímulo da família e amigos. A equipa, liderada por Jim Hamilton avaliou as vantagens psicológicas obtidas por quem procura oportunidades de ocupar o «papel de doente». Para tal, mostraram a um grupo de alunos várias versões de um relatório médico de duas páginas sobre um paciente de 22 anos. Em cada versão, o paciente tinha dores abdominais que depois acabavam por culminar numa ida ao hospital.Em geral, os estudantes tiveram uma impressão mais favorável quando o paciente era descrito como alguém que detinha grande conhecimento médico, em vez de alguém indiferente ou sem interesse pelos detalhes do problema médico, informaram os cientistas. Na verdade, os estudantes consideraram o paciente com conhecimento médico como muito mais inteligente e culto que o paciente desinteressado.Isto foi verdadeiro mesmo quando os pacientes fictícios eram descritos como tendo escolaridade semelhante, trajectórias parecidas nos negócios e a mesma situação socio-económica.Os estudantes também tiveram impressões mais favoráveis do paciente quando os sintomas foram descritos como resultantes de um problema intestinal raro, em vez de uma apendicite comum, indicou o estudo. Por exemplo, quando o paciente tinha um distúrbio raro, também era considerado como tendo uma auto-estima maior.Para os cientistas, este estudo poderá ajudar a entender o processo pelo qual uma pessoa desenvolve um problema crónico de exagerar ou fingir estar doente. «É possível que pessoas que não se sentem especiais ou apreciadas descubram, mais ou menos por acidente, que o papel de doente oferece um meio para sentirem-se únicas e importantes.»Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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