Filtro ultrapassa incompatibilidade em transplante renal

Primeiro transplante realizado com sucesso

23 outubro 2001
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Um novo filtro sanguíneo pode aumentar significativamente o número de transplantes renais com doadores vivos ao permitir que o procedimento seja realizado entre pessoas de tipos sanguíneos diferentes. Esta notícia de esperança foi dada por um cirurgião sueco numa entrevista à agência Reuters.
 

 

Segundo Gunnar Tyden, cirurgião e professor especializado em transplantes no Hospital Universitário Huddinge, na Suécia, o uso do novo equipamento já permitiu a realização de um transplante renal numa paciente de 20 anos com sangue do tipo O, cujo doador foi o pai, que tinha sangue do tipo A.
 

 

«A paciente está muito bem», afirmou G. Tyden. «Já superou o período crítico. Se nada aconteceu até agora, provavelmente nada acontecerá», concluiu.
 

 

G. Tyden realizou a cirurgia há cerca de quatro semanas e usou o aparelho de filtragem GlucoSorb, fabricado pela empresa sueca Glycorex Transplantation AB. Este novo filtro remove grupos de anticorpos sanguíneos do receptor do rim que poderiam reagir com o órgão transplantado e provocar a sua rejeição. De acordo com aquela empresa farmacêutica, o novo aparelho deve chegar ao mercado dentro de alguns meses.
 

 

Segundo G. Tyden, um risco associado à realização de transplantes entre indivíduos com diferentes tipagens sanguíneas é que esses anticorpos induzem a formação de coágulos de sangue que inviabilizam o sucesso da cirurgia.
 

 

Uma das técnicas actualmente utilizadas para eliminar estes anticorpos e ultrapassar este problema é a administração de medicamentos como a plasmaferese. Além disso, os transplantes renais que envolvem este procedimento geralmente são acompanhados pela remoção do baço e o uso de imunossupressores, ambos descritos por G. Tyden como procedimentos «que envolvem riscos elevados para o paciente e que são altamente prejudiciais.»
 

 

Para inibir a produção de anticorpos dirigidos ao grupo sanguíneo do doador, G. Tyden administrou rituximab, uma droga desenvolvida para tratar linfomas não-Hodgkin (grupo heterogéneo de doenças malignas dos linfócitos). Até agora, a paciente não desenvolveu anticorpos contra o grupo sanguíneo do doador.
 

 

G. Tyden afirmou que «não houve complicações» e, relativamente ao uso do rituximab, o cirurgião realçou que «é uma droga extra que poderia ter aumentado a sensibilidade da paciente a infecções, o que não aconteceu, e que não surgiram quaisquer problemas com a utilização do novo aparelho de filtragem sanguínea.»
 

 

Relativamente a outros transplantes com esta nova técnica, G. Tylen espera realizar mais uma cirurgia «logo que possível», já que «muitas pessoas que não puderam fazer o primeiro transplante com esta nova técnica estão ansiosas por o realizar,» concluiu.
 

 

De acordo com o cirurgião percursor nesta técnica, «isto abre a possibilidade para possíveis doadores que não têm o mesmo tipo sanguíneo do paciente e que estão dispostos a doar um rim». Ao mesmo tempo, aumenta a probabilidade de sucesso de uma doação entre indivíduos com diferentes tipagens sanguíneas trazendo grandes esperanças a todos os que esperam um rim compatível já que, com este progresso, torna-se possível, de acordo com G. Tylen, o marido doar um órgão à sua esposa ou o pai ao seu filho, mesmo com tipos sanguíneos diferentes.
 

 

Como conclui G. Tylen na entrevista à Reuters: «isto pode duplicar o número de transplante renais com doadores vivos que, a priori, seriam inviabilizados pela incompatibilidade.»
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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