Fígado gordo: descoberto novo alvo de tratamento

Estudo publicado no “EMBO Journal”

08 fevereiro 2016
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Investigadores espanhóis descobriram que a inibição de duas proteínas pode potencialmente tratar a doença do fígado gordo ou esteatose hepática, dá conta um estudo publicado no “EMBO Journal”.
 

Os investigadores do Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares Carlos III, em Espanha, referem que as proteínas, p38 gama e p38 delta, controlam a acumulação da gordura no fígado, um processo que está associado ao desenvolvimento de resistência à insulina e diabetes, dois eventos associados à obesidade.
 

A esteatose, ou seja a acumulação excessiva de gordura no fígado, é uma das doenças mais comuns das sociedades em desenvolvimento, afetando cerca de 30% da população adulta. Esta condição é por vezes causada pela obesidade, diabetes ou consumo excessivo de álcool. As consequências da esteatose podem ser graves uma vez que o fígado gordo pode desencadear cirrose e insuficiência hepática, contribuir para o desenvolvimento da diabetes e cancro do fígado. Atualmente existem poucas opções de tratamento para a doença.
 

A esteatose é iniciada pela acumulação excessiva de triglicerídeos no fígado, que estimula uma resposta inflamatória. Em muitas doenças a inflamação envolve a contribuição das proteínas p38 gama e p38 delta. Neste estudo os investigadores constataram que o fígado dos indivíduos obesos expressam níveis mais elevados destas proteínas.
 

Através da utilização de ratinhos incapazes de expressar as proteínas p38 gama e p38 delta nos neutrófilos, um tipo de célula imunitária inflamatória, os investigadores, liderados por Guadalupe Sabio, demonstraram que estas proteínas controlam a migração dos neutrófilos para o fígado. De acordo com os autores do estudo, a presença destas células é necessária para a acumulação da gordura no fígado.
 

Desta forma, a inibição da migração dos neutrófilos nos animais que não expressavam as proteínas p38 gama e p38 delta pode ser suficiente para os proteger contra o desenvolvimento do fígado gordo, impedindo consequentemente a inflamação, danos no fígado, e mesmo a diabetes associada à obesidade.
 

Guadalupe Sabio defende que esta descoberta não só ajuda na compreensão dos mecanismos envolvidos na esteatose, como também pode conduzir ao desenvolvimento de novas estratégias para tratar ou mesmo prevenir a doença. Atualmente a única forma de testar o recrutamento de neutrófilos para fígado em indivíduos obesos é através de uma biópsia do fígado. Com base na nova descoberta, pode ser possível evitar a infiltração dos neutrófilos através do tratamento dos pacientes com inibidores específicos.
 

O investigador acrescenta que esta descoberta pode também ajudar no tratamento de outras doenças que envolvem o recrutamento de neutrófilos para o fígado.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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