Fígado gordo aumenta entre os portugueses

Investigações recentes apresentadas na Conferência Europeia

15 setembro 2004
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Cerca de 15 por cento da população portuguesa tem fígado gordo, ou Esteatohepatite Não Alcoólica NASH uma doença prevalecente nos países industrializados, é mais frequente em indivíduos obesos, com diabetes, sobretudo a diabetes tipo II e que têm hiperlipidemia (valores elevados do colesterol e triglicéridos no sangue).
 

 

 

 

 

 

É com esta preocupação que especialistas nacionais e internacionais vão estar reunidos amanhã, sexta-feira, 17, e sábado, 18, para apresentarem as últimas investigações biológicas e clínicas durante a Conferência Europeia da Esteatohepatite Não Alcoólica, organizada pela Associação Europeia para o Estudo do Fígado, no Hotel Palácio, no Estoril.
 

 

 

A Esteatohepatite Não Alcoólica (NASH) ou de uma forma mais simples, um fígado que acumulou gordura nas células hepáticas («fígado gordo») que inflamou. A doença hepática associada ao fígado gordo pode resultar de um consumo excessivo de bebidas alcoólicas, mas também aparece em pessoas que nunca beberam ou bebem em quantidades mínimas (é o fígado gordo não alcoólico). Só uma proporção menor de doentes com fígado gordo têm NASH , que é uma forma mais agressiva que pode evolucionar para cirrose.
 

 

 

Os médicos hepatologistas estão preocupados e alertam para o risco desta patologia estar a aumentar em Portugal. Para Miguel Carneiro de Moura, Director do Serviço de Gastrenterologia e da Unidade de Hepatologia do Hospital de Santa Maria, «uma estimativa é que 15 por cento dos adultos na população tenha fígado gordo, o que para Portugal indicaria aproximadamente 1.200 mil casos, dos quais 200 a 300 mil teriam as formas mais graves da doença (esteatohepatite) e poderiam evolucionar para cirrose hepática ( 10-20 por cento)».
 

 

 

 

 

 

A causa e os mecanismos de produção da doença não são ainda bem conhecidos, mas há diversos factores aos quais se associa o fígado gordo não alcoólico: nutricionais (obesidade, desnutrição); endócrinos (diabetes, dislipidemias); tóxicos (alguns medicamentos).
 

 

 

 

 

O fígado gordo detecta-se como um achado acidental de uma ecografia hepática ou porque aparecem enzimas hepáticos ( transaminases ) elevados no sangue num exame de rotina ou numa investigação por outra doença. Muitas vezes a situação não é valorizada inicialmente pelo médico ou pelo doente e só muito mais tarde aparecem as manifestações de doença hepática crónica A maioria dos doentes não tem sintomas ou raramente queixa-se de cansaço ou dor no quadrante superior direito do abdómen. O diagnóstico de certeza implica uma biopsia hepática.
 

 

 

 

 

 

Não existe um tratamento específico para o fígado gordo. A recomendação actual é tratar as doenças associadas, como a obesidade, a diabetes e a dislipidemia.
 

 

 

 

MNI- Médicos na Internet

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