Fígado doado após morte cardíaca seguro para doentes com cancro do fígado

Conclusões publicadas no “American Journal of Transplantation”

22 maio 2015
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Doentes com cancro do fígado podem ser curados através de transplante do fígado. Contudo, a maioria dos centros de transplante usa predominantemente fígados resultantes de doação devido a morte cerebral, o que resulta em escassez de órgãos para doação.
 
Cientistas da Mayo Clinic, na Florida, EUA, revelam que os pacientes com cancro do fígado podem beneficiar de órgãos doados por pacientes que morreram devido a causas cardíacas.
 
“Acredito que este estudo responde com firmeza e definitivamente à questão sobre se as doações de fígado após morte cardíaca são tão viáveis para pacientes com cancro do fígado como fígados de dadores em morte cerebral”, refere Kristopher P. Croome, líder do estudo. “E são”, assevera.
 
Estudos anteriores, realizados tanto em animais como em seres humanos, sugeriram que órgãos retirados de indivíduos que morreram devido a causas cardíacas apresentavam piores resultados em doentes com cancro do fígado, porque o fígado teria sofrido danos devido a perda de oxigénio durante a recuperação do órgão.
 
Como tal, para efeito de transplante, alguém que é vitimado por enfarte agudo do miocárdio não é considerado para doação. Assim, quando é necessário retirar órgãos para doação de um paciente, é realizada uma morte cardíaca controlada. É o que acontece, por exemplo, com pacientes com lesões cerebrais graves e que não têm possibilidade de recuperação. Nesses casos, é retirado o suporte de vida ao paciente para passar para a morte num ambiente controlado. Os órgãos são de seguida recuperados e enviados para doação.
 
A maior preocupação com o fígado recuperado de vítimas de morte cardíaca, de acordo com Croome, é que estes não sejam suficientemente saudáveis, devido à falha de oxigénio durante o procedimento de recolha para doação, e que isso impeça o órgão de combater o desenvolvimento de um novo cancro. “Poderá haver células cancerígenas circulantes no momento do transplante num paciente cujo fígado canceroso é removido, por isso, a questão tem sido se estes fígados doados por dadores com morte cardíaca são tão saudáveis e resistentes como aqueles obtidos por morte cerebral”.
 
A morte cerebral consiste num estado de ausência de atividade cerebral, embora o coração e outros órgãos permaneçam ativos. Nestes casos, considerados irreversíveis, os pacientes são considerados legalmente mortos.
 
Entre 2003 e 2012, a equipa de transplantes da Mayo Clinic realizou 1.633 transplantes de fígado usando órgãos doados por pacientes que morreram por morte cerebral e 241 de dadores que morreram por morte cardíaca.
 
Os investigadores identificaram 397 doentes com cancro do fígado que receberam um novo fígado: 350 receberam um fígado doado após morte cerebral e 57 receberam um fígado doado após morte cardíaca. Não foram detetadas quaisquer diferenças na recorrência do cancro do fígado entre ambos os grupos – a percentagem de recorrência do cancro do fígado foi de 12% nos dois grupos.
 
Estes resultados indicam que o transplante de fígado de dadores que morreram por causa cardíaca pode ajudar a diminuir a crescente necessidade de órgãos verificada em doentes com cancro do fígado que requeiram um transplante.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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