Fígado artificial mais perto

Estudo publicado na revista “Nature Chemical Biology”

06 junho 2013
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Investigadores americanos identificaram dezenas de compostos capazes de ajudar as células do fígado não só a manterem a sua função normal em laboratório, como também a multiplicarem-se e produzirem novo tecido. O estudo publicado na “Nature Chemical Biology” refere que as células desenvolvidas desta forma poderão ajuda a tratar muitos dos 500 milhões de indivíduos que sofrem de doenças do fígado, como a hepatite C.
 

A comunidade científica já tinha conhecimento que de facto o fígado era capaz de se regenerar após lhe ter sido removida uma parte. Contudo, as tentativas de produção de um fígado artificial falharam, até à data, pois as células maduras do fígado conhecidas por hepatócitos, perdem rapidamente a sua função quando removidas do organismo.
 

Os investigadores do MIT, nos EUA, já tinham conseguido manter temporariamente a função dos hepatócitos utilizando fibroblastos de ratinho. Neste estudo, adaptaram este sistema para que as células fossem capazes de crescer em camadas com fibroblastos. Desta forma, os investigadores foram capazes de realizar estudos em grande escala, verificando como 12.500 compostos afetavam o crescimento do fígado e a sua função.
 

Os investigadores explicam que o fígado tem cerca de 500 funções, que estão divididas em quatro categorias gerais: desintoxicação de fármacos, metabolismo energético, síntese de proteínas e produção de bile. Após terem analisado milhares de células do fígado provenientes do tecido de oito doadores, os investigadores identificaram 12 compostos que ajudaram as células a manter essas funções, a promover a divisão das células do fígado, ou ambas.
 

Foi verificado que dois destes compostos funcionavam especialmente bem em células de dadores mais jovens. Os investigadores também os testaram em células do fígado geradas a partir de células estaminais pluripotentes induzidas. A criação de hepatócitos a partir destas células estaminais já tinha sido anteriormente testada, mas as células não conseguiam atingir um estádio de maturação completo. Contudo, na presença deste dois compostos esse objectivo foi conseguido.
 

Em investigações futuras os investigadores, liderados por Jing (Meghan) Shan, pretendem incorporar as células do fígado tratadas em estruturas polímeras e implantá-las em ratinhos, para testar a possibilidade de serem utilizadas como substituição dos tecidos do fígado. Adicionalmente, os investigadores estão a estudar a possibilidade de desenvolver fármacos capazes de ajudar na regeneração dos tecidos do fígado.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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