Fibrose quística: bactéria está a disseminar-se entre pacientes

Estudo publicado na revista “Science”

16 novembro 2016
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Uma infeção resistente aos tratamentos, que pode por em risco a vida dos pacientes com fibrose quística, está a disseminar-se de paciente para paciente globalmente, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Cambridge e do Instituto Wellcome Trust Sanger, no Reino Unido, sugere que a limpeza convencional não é suficiente para eliminar o agente patogénico, o qual pode ser transmitido através das superfícies contaminadas ou através do ar.
 
A Mycobacterium abscessos (M. abscessos) é uma micobactéria que surgiu recentemente como uma ameaça global significativa para os pacientes com fibrose quística e outras doenças pulmonares. Esta bactéria pode causar pneumonia grave, conduzir a rápidos danos inflamatórios nos pulmões e impedir a segurança do transplante pulmonar. Esta é uma infeção de difícil de tratar, visto que cerca de um em três casos é tratado com sucesso. 
 
Acreditava-se que os pacientes adquiriam a infeção através do meio ambiente e que a transmissão entre pacientes nunca ocorria. No entanto, os investigadores já tinham encontrado uma evidência epidemiológica que sugeria que poderia ocorrer transmissão entre pessoas, mas ainda não estava claro se este tinha sido um incidente isolado.
 
Neste estudo, os investigadores sequenciaram o genoma de mais de mil isolados de micobatérias de 517 indivíduos com fibrose quística. Verificou-se que a maioria dos pacientes tinha adquirido formas transmissíveis do M. abscessos que se tinham disseminado globalmente. Análises posteriores sugeriram que a infeção pode ser transmitida nos hospitais através de superfícies contaminadas e transmissão aérea, o que representa um desafio potencialmente sério para as práticas de controlo de infeções nos hospitais.
 
Experiências realizadas in vitro e in vivo também demonstraram que a micobactéria tornou-se recentemente mais virulenta, causando doenças mais graves nos doentes. 
 
Andres Floto, o líder do estudo, referiu que esta micobactéria pode causar infeções muito graves que necessitam de tratamento com múltiplos antibióticos ao longo de 18 ou mais meses. Inicialmente o microrganismo entrou na população através do meio ambiente, mas, ao que parece, recentemente, evoluiu, sendo por isso capaz de passar de indivíduo para indivíduo e tornar-se mais virulento à medida que este processo ocorre.
 
Os investigadores referem que como agora se conhece a extensão do problema e se está a começar a perceber como a infeção se dissemina, estão em posição para começar a combatê-la.
 
Uma questão que os investigadores pretendem responder é de que forma o microrganismo se disseminou globalmente. O estudo demonstrou que, de facto, a bactéria não só é a capaz de se disseminar entre pacientes dos centros de cuidados médicos, como também de continente para continente. Apesar de o mecanismo de transmissão não ser claro, os investigadores especulam que os indivíduos saudáveis possam estar inadvertidamente a transportar a micobactéria entre os países.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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