Fibromialgia: natação pode ser tão benéfica quanto caminhar

Estudo da Universidade Federal de São Paulo

23 agosto 2016
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A natação é tão eficaz quanto a caminhada no alívio das dores fibromiálgicas e melhora a qualidade de vida destes pacientes, atesta um estudo realizado por investigadores brasileiros.
 

O exercício físico é um componente essencial de qualquer tratamento para a fibromialgia, e muitos estudos têm demonstrado que o exercício aeróbio de baixo impacto é benéfico. No entanto, nem todos os pacientes gostam ou são capazes de fazer o mesmo tipo de atividade física.
 

Assim, foi neste contexto que os investigadores da Universidade Federal de São Paulo, no Brasil, decidiram encontrar alternativas, tendo para tal contado com a participação de 75 mulheres com fibromialgia, sedentárias e com idades compreendidas entre os 16 e os 60 anos. Cerca de metade das participantes foi convidada a fazer natação livre e as restantes a darem caminhadas ao ar livre. As sessões de treino, de 50 minutos de duração, foram realizadas três vezes por semana ao longo de 12 semanas e supervisionadas por profissionais especializados em reumatologia.
 

As participantes foram avaliadas em vários parâmetros antes e após as 12 semanas de treino. A intensidade da dor foi, por exemplo, avaliada através de uma escala numérica que variava entre 1 a 10.
 

Os investigadores apuraram que, nas mulheres inseridas no grupo de caminhada, a intensidade da dor diminuiu, em média, de 6,2 para 3,6, e no grupo de natação de 6,4 para 3,1. A qualidade de vida foi avaliada através de dois questionários validados, um específico para os pacientes com fibromialgia (FIQ, sigla em inglês) e outro para o público em geral.
 

O estudo apurou que ocorreram melhorias significativas nos resultados do último questionário para os dois grupos. A interação social aumentou, em média, de 56 para 80 no grupo da natação e de 52 para 72 no grupo da caminhada. Relativamente à saúde mental o grupo de natação melhorou de 55,7 para 68 e o grupo da caminhada de 51,1 para 66,8. Os dois grupos também melhoraram de forma equivalente no teste FIQ.
 

A fibromialgia é cerca de dez vezes mais comum nas mulheres do que nos homens, e pode ser incapacitante. Além da dor, as pessoas que sofrem da doença, também têm por vezes distúrbios do sono. Estes pacientes apresentam frequentemente níveis de serotonina (um neurotransmissor-chave na regulação do humor e da sensibilidade à dor) reduzidos, assim como alterações no sistema nervoso autónomo, que controla as funções corporais, tais como frequência cardíaca, contração dos vasos sanguíneos, sudorese, fluxo salivar e movimentos intestinais. No seu todo, estes sintomas afetam muito a qualidade de vida destes pacientes.
 

Atualmente, os especialistas concordam que o tratamento da fibromialgia deve ser multimodal, ou seja, os medicamentos para a dor crónica e a depressão devem ser combinados com a prática de exercício sem do também necessário controlar as doenças concomitantes, como a artrose, que também podem causar dor.  
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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