Feto do sexo masculino mais sensível ao stress da mãe

Estudo realizado na University of Adelaide

15 agosto 2010
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Ao contrário dos fetos do sexo feminino, os do sexo masculino são menos sensíveis ao stress da mãe. Esta descoberta poderá conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos para os bebés do sexo masculino que estão sob o risco de parto prematuro, dá conta um estudo australiano.


Sabe-se que quando uma grávida produz cortisol, uma hormona que está envolvida na resposta ao stress, esta pode atravessar a placenta. Contudo, ainda não se sabia ao certo se os fetos do sexo feminino e masculino respondiam da mesma forma à hormona nem como é que ela afectava o desenvolvimento fetal.


Tendo em conta que, durante um ataque de asma, há produção de elevados níveis de cortisol, uma equipa de investigadores da University of Adelaide, na Austrália, acompanharam a gravidez de 132 mulheres asmáticas e 51 mulheres saudáveis, tendo registado a severidade da asma e a medicação de cada mulher às 12, 18 e 30 semanas de gravidez.

Os cientistas mediram, 45 minutos após o nascimento, a quantidade de cortisol presente no sangue do cordão umbilical e analisaram a expressão de genes associados à resposta ao stress na placenta.


O estudo constatou que as meninas filhas de mulheres com asma moderada a grave tinham níveis mais elevados de cortisol no sangue do cordão umbilical, uma média de 245 milimoles por litro, do que as meninas filhas de mulheres saudáveis ou que sofriam de asma leve, as quais tinham uma concentração de cortisol de 202 e 209 milimoles por litro, respectivamente. Contudo, não foram observadas diferenças nos níveis de cortisol dos bebés do sexo masculino.


Os investigadores verificaram também que 22,5% das meninas filhas de mães asmáticas eram pequenas para a idade gestacional, o mesmo acontecendo com 9,5% das filhas de mães saudáveis. Não se observou, mais uma vez, qualquer diferença entre os meninos dos diferentes grupos.


Em comunicado enviado para a imprensa, a investigadora Vicki Clifton conclui que “as meninas são sensíveis ao que acontece no corpo da mãe, mas os meninos simplesmente ignoram-no”.


Tim Moss, fisiologista da Monash University, esclarece que este trabalho tem importantes aplicações clínicas que “poderão ajudar a reduzir a vulnerabilidade dos bebés do sexo masculino”. Na prática obstétrica, as hormonas associadas ao stress são administradas por rotina a mulheres que estão em risco de parto prematuro para induzir a maturação mais rápida do feto. O tratamento parece ser menos eficaz em indivíduos do sexo masculino. Este estudo poderá explicar a razão para este facto e contribuir para o aparecimento de novos métodos que auxiliem o desenvolvimento dos bebés do sexo masculino.


ALERT Life Sciences Computing, S.A

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