Feto com duas mães e um pai

Cientistas utilizam técnica pela primeira vez

14 outubro 2003
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Cientistas chineses criaram, pela primeira vez, o que pode ser descrito como o primeiro bebé com um pai e duas mães.Os especialistas criaram embriões usando para tal óvulos de duas mulheres e espermatozóide de um homem. O objectivo foi permitir a uma mulher de 30 anos com problemas de fertilidade que tivesse um bebé.A experiência científica foi divulgada durante uma conferência anual da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, nos Estados Unidos. A mulher voluntária já tinha sido submetida, sem sucesso, a duas fertilizações in vitro, as quais não funcionaram devido a problemas com os seus óvulos.Os cientistas da Universidade de Sun Yat-Sen, na cidade chinesa de Guanzgzhou, tentaram superar este problema fundindo os óvulos da mulher com os de uma outra.Os óvulos são compostos por um núcleo que compreende a maior parte de seu ADN e o material que o envolve, chamado citoplasma. Os especialistas chineses retiraram material de ADN do óvulo da dadora deixando apenas o citoplasma. Em seguida, colocaram o núcleo do óvulo da paciente dentro do óvulo da dadora, um processo conhecido como transferência nuclear humana, semelhante ao utilizado na clonagem da ovelha Dolly.No passo seguinte, os óvulos fundidos foram fertilizados com o esperma humano. Ao todo, os cientistas colocaram na paciente cinco embriões das três partes envolvidas na experiência.A paciente ficou grávida de trigémeos, mas um mês depois, os médicos abortaram um dos fetos para dar mais possibilidade de sobrevivência aos outros dois. Mas, mesmo assim, os fetos sobreviventes nasceram prematuros e morreram aos quatro e aos cinco meses de gravidez, respectivamente.De acordo com os cientistas, a morte dos fetos não foi causada pelo processo de fertilização alternativo, mas sim por complicações resultantes da múltipla gravidez. Os médicos disseram que esta técnica não é ideal para mulheres cujos óvulos não são saudáveis o suficiente para permitir uma gravidez normal.A experiência foi alvo de críticas. Alguns cientistas criticaram-na por utilizar uma técnica semelhante à da clonagem humana. Mas, muitos outros especialistas aplaudiram a técnica, alegando que se mostrar não trazer riscos poderá ser um  grande avanço para mulheres com problemas de fertilidade.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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