Fertilização in vitro: uma viagem ao passado

Números de embriões transferidos foi o pior desta técnica

26 fevereiro 2016
  |  Partilhar:

O médico que há 30 anos fez nascer o primeiro “bebé-proveta” português refere que nos primeiros tempos o elevado número de embriões que eram transferidos para o útero foi o pior desta técnica.
 

“Foi muito polémico o número de embriões a transferir. Naquela altura, talvez não tivéssemos bem a ideia da contrariedade que significava transferir todos os embriões viáveis”, referiu à agência Lusa António Pereira Coelho, numa entrevista a propósito do 30º aniversário do nascimento da primeira criança concebida através de uma Fertilização in Vitro (FIV), em Portugal.
 

Esta semana fez 30 anos que nasceu Carlos Saleiro, conhecido como o primeiro “bebé-proveta” português. António Pereira Coelho foi o médico responsável pela introdução da técnica em Portugal, depois de trabalhar no seu desenvolvimento, em Paris.
 

O médico referiu que, nessa altura, chegavam a ser transferidos para o útero seis e até sete embriões, “com a possibilidade, como aconteceu, de gravidezes de seis e sete embriões, que não podiam chegar a termo”.
 

Essa fase foi ultrapassada e compensada quando se começou a fazer a criopreservação de embriões, a qual evitava que a mulher se submetesse a todos aqueles tratamentos e ao desperdício de embriões que poderiam dar, se lhes fossem dadas condições, origem a seres humanos”.
 

O médico reconhece que para quem trabalhava nesta área, e “independentemente de convicções filosóficas ou religiosas”, era “um bocadinho chocante: estar a desejar a todo o custo obter filhos para casais inférteis e ao mesmo tempo a desprezar uma quantidade significativa desses mesmos embriões que podiam ser transferidos em outra fase”.
 

Alda Saleiro foi a primeira mulher a dar à luz uma criança concebida por FIV. Carlos Saleiro veio ao mundo a 25 de fevereiro de 1986. Passados 30 anos, António Pereira Coelho confessa: “Enquanto não vi a criança cá fora estive sempre um bocadinho angustiado, mas reparei facilmente que estava tudo normal”.
 

“A minha satisfação é, por um lado, Portugal não ter ficado muito atrasado em relação a outros países, o que nem sempre acontece. E, por outro lado, termos tido a fortuna de conseguir resultados que, na minha ótica, contribuíram muito para a aceitação” desta técnica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.