Fertilização in vitro: riscos maiores que benefícios

Estudo publicado no "British Medical Journal"

17 fevereiro 2014
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Um novo estudo sobre a fertilização in vitro vem sugerir que este tratamento poderá estar a ser demasiado utilizado e que os riscos causados pelo mesmo poderão ser superiores aos benefícios.
 

A fertilização in vitro (FIV) foi criada como tratamento de mulheres com problemas nas trompas de Falópio e homens com problemas graves de infertilidade. O primeiro bebé proveta nasceu em 1981. Desde essa altura e até 2003, nasceram mais de 1 milhão de bebés através desse tratamento, um número que aumentou para 2 milhões em 2005.
 

A equipa de especialistas, liderada por Esme I. Kamphuis do Centro de Medicina Reprodutora da Universidade de Amsterdão, Holanda, explica que nos últimos anos este método de tratamento tem sido utilizado noutros problemas que afetam a fertilidade, e mesmo problemas de fertilidade inexplicados. A equipa relatou que 25 a 30% dos casais submetidos a tratamento de FIV era devido a problemas de fertilidade inexplicados. Todavia, quando não tratados imediatamente, a maioria destes casais foi capaz de conceber naturalmente antes do tratamento.
 

Nos países desenvolvidos, 2 a 3% dos nascimentos anuais são mediante tratamentos de FIV e na Bélgica e Dinamarca esta percentagem ascende aos 5%. No entanto, um estudo observacional demonstrou que 95% de 350 casais que planeavam uma primeira gravidez conseguiram conceber no espaço de dois anos.
 

Nos EUA, o número de ciclos anuais de FIV aumentou de 90000 para 150000, sendo que a proporção de ciclos de FIV para tratar problemas das trompas de Falópio reduziu de 25 para 16% neste período.
 

Os autores alegam também que grande parte da pesquisa realizada sobre o sucesso da FIV não demonstra por quanto tempo os casais tentaram conceber e muitos países não recolhem dados que evidenciem a duração da infertilidade.
 

Os especialistas consideram que a utilização prolongada da FIV aumenta o risco de prejudicar a mãe e filhos: “as gravidezes múltiplas estão associadas a complicações maternas e perinatais como a diabetes gestacional, a restrição do crescimento fetal e a pré-eclâmpsia, assim como nascimento prematuro. E mesmo filhos únicos nascidos através de FIV demonstraram resultados piores do que aqueles concebidos naturalmente”.
 

Para além disso, os especialistas chamam a atenção para problemas de saúde de longo-termo que podem afetar as crianças nascidas através de FIV: tensão arterial mais elevada, níveis de glicose e anormalidades vasculares generalizadas, em relação às crianças concebidas naturalmente.

 

Os autores consideram que estas consequências estão relacionadas com o procedimento de FIV e não com a infertilidade em si.
 

Os especialistas consideram que o facto de a indústria da FIV ser geradora de lucros faz com que quem a patrocina não se interesse em custear estudos que investiguem os efeitos de longo termo deste procedimento. Sendo assim, torna-se necessário avisar os casais dos potenciais riscos do tratamento antes de decidirem ser submetidos ao mesmo, especialmente se apresentam uma hipótese razoável de conceberem naturalmente.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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