Fertilização in vitro: o que dita o sucesso?

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

27 janeiro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores identificou um padrão genético específico no útero que pode prever se o tratamento de fertilização in vitro (FIV) pode ou não ter sucesso, refere um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
Apesar dos avanços na tecnologia de reprodução assistida, a maioria dos tratamentos de FIV ainda não conduzem, frequentemente, a gravidezes de sucesso.
 
“Muitas mulheres são submetidas, sem sucesso, a vários ciclos de FIV apesar da boa qualidade dos embriões e, até à data, ainda não estava claro se o revestimento do útero poderia ser a causa”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos colíderes do estudo, Nick Macklon.
 
Agora neste estudo os investigadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, e da Universidade de Utrecht, na Holanda, demonstraram que pode ser detetada uma expressão genética anormal no revestimento do útero de muitas destas mulheres e que a presença de uma assinatura genética específica está sempre associada ao fracasso da FIV. 
 
Na opinião dos investigadores estes resultados podem ajudar a compreender por que motivo a FIV continua a falhar em algumas pacientes.
 
Para o estudo, os investigadores obtiveram biópsias do revestimento do útero de 43 mulheres com falhas recorrentes na nidação, que ocorre quando três ou quatro transferências de embriões de elevada qualidade ou a colocação de 10 ou mais embriões em múltiplas transferências não conduzem a uma gravidez de sucesso. Foram também obtidas biópsias de 72 mulheres que deram à luz após tratamento de FIV ou injeção intracitoplasmática de espermatozoides.
 
O estudo apurou que as amostras de 80% das mulheres que tinham tido falhas de nidação recorrentes apresentavam uma assinatura genética específica que não estava presente nas amostras das mulheres que deram à luz após o tratamento de FIV.
 
“Uma grande proporção de mulheres que sofre de problemas na nidação recorrentes podem ser inférteis devido a um problema e recetividade do útero”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Frank Holstege.
 
O investigador sugere que as mulheres com uma assinatura genética específica são mais propensas a terem uma pequena probabilidade de sucesso. Este tipo de informação pode ajudar os médicos a aconselharem melhor as pacientes sobre como melhor investirem o seu tempo e dinheiro. Por outro lado, as mulheres que apesar de terem sido submetidas, sem sucesso, a uma série de ciclos de FIV, mas não apresentam a assinatura genética, podem ser aconselhadas a continuar os tratamentos uma vez que têm uma maior probabilidade de sucesso. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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