Fertilização in vitro: o diagnóstico genético expande-se à pré-implantação
08 março 2002
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No fim do mês passado foi noticiado o nascimento de uma bebé que, ainda embrião, fazia parte de um grupo de quatro embriões seleccionados, entre 15 embriões-irmãos, por não estarem predispostos a desenvolverem a doença de Alzheimer. Tudo se passou numa família em que as mulheres estão fortemente predispostas a terem esta doença degenerativa muito cedo – uma irmã da mãe da bebé começou a sofrer desta doença aos 38 anos.
 

 

Foi, até agora, o primeiro procedimento de diagnóstico genético realizado antes da implantação, descrito na edição do passado dia 27 de Fevereiro do The Journal of the American Medical Association, destinado a identificar a predisposição hereditária para a doença de Alzheimer, sob a forma de manifestação precoce, e que resultou no nascimento de uma bebé livre desse risco.
 

 

Hoje em dia, é cada vez maior o número de casais que recorrem à reprodução médica assistida (RMA). Todos os dias lemos, vemos, ouvimos ou falamos sobre esse assunto. O recurso à RMA possibilita a aplicação de uma forma de diagnóstico genético que permite detectar eventuais anomalias genéticas muito mais cedo do que o diagnóstico genético pré-natal (DPN) – estamos a falar do diagnóstico genético pré-implantação (DPI)
 

 

DPN e DPI – Qual a diferença?
 

 

O DPN é realizado para detectar anomalias (genéticas ou não) de um feto. Ou seja, a gestação já teve início quando se faz um DPN.
 

 

A possibilidade de realização de DPI’s surgiu com o advento, desenvolvimento e apuramento das técnicas de assistência à reprodução humana. Este diagnóstico antecede a implantação do embrião no útero materno.
 

 

Em que consiste o DPI?
 

 

Esta revolucionária técnica de diagnóstico é utilizada nos casos em que existe uma elevada probabilidade de ocorrência de doenças genéticas. Após a fertilização in vitro, os embriões são mantidos cerca de três dias no laboratório, em condições favoráveis ao seu desenvolvimento, até serem atingidos os estádios em que são constituídos por 6 a 10 células. Recorrendo a uma delicada técnica de micromanipulação é retirada uma ou duas células de cada embrião para que, então se apliquem as técnicas adequadas ao diagnóstico genético.
 

 

Depois de obtido o diagnóstico, é chegada a altura em que os embriões são escolhidos. Dos embriões não portadores de anomalias genéticas, seleccionam-se os que serão implantados no útero materno.
 

 

Diagnosticar a predisposição genética para doenças?
 

 

A tendência é para que as indicações para a realização do DPI se expandam à inclusão de diagnósticos de predisposição genética para determinadas anomalias, permitindo que apenas os embriões não geneticamente predispostos ao desenvolvimento de doenças, como a de Alzheimer, por exemplo, possam completar o seu desenvolvimento.
 

 

São evidentes as questões éticas que este procedimento levanta, questões essas largamente discutidas por todos os intervenientes directos (desde os casais que recorrem às reprodução médica assistida até aos médicos) e indirectos - todos nós.
 

 

 

MNI – Médicos Na Internet

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