Fertilização in vitro: demora na atribuição do Nobel é lamentável

Declarações da primeira “bebé-proveta”

27 julho 2015
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A primeira “bebé-proveta” no mundo lamenta que a comunidade científica tenha demorado tanto tempo a atribuir a Robert Edwards o Prémio Nobel da Medicina e a reconhecer, dessa forma, a importância da Fertilização In Vitro (FIV).
 

“É uma grande vergonha que tenha demorado tanto para o seu trabalho ser reconhecido com um Prémio Nobel”, disse à agência Lusa Louise Brown, numa entrevista exclusiva para Portugal a propósito do livro “A minha vida como o primeiro bebé-proveta do mundo”, que será lançado no Reino Unido no sábado, dia em que completa 37 anos.
 

Louise Brown, que nasceu graças à FIV, desenvolvida por Robert Edwards e Patrick Steptoe (que morreu em 1988), diz que Robert Edwards “era uma espécie de avô” para ela e que sempre se manteve em contacto com ele e a sua mulher Rute, que também era cientista.
 

Relativamente à demora na atribuição do Nobel, que só chegou em 2010, Louise Brown lamenta que esta tenha chegado numa altura em que Robert Edwards já estava com graves prolemas de saúde e incapaz de o receber fisicamente.
 

“Robert Edwards recebeu muitas críticas nos primeiros dias da Fertilização In Vitro, muitas das quais injustas e de pessoas pouco informadas”, lembrou.
 

Louise sublinha que foi graças ao trabalho desta equipa que milhões de pessoas estão atualmente vivas. De acordo com dados da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, desde o nascimento de Louise Brown que cerca de cinco milhões de pessoas nasceram resultantes das técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA), como a FIV.
 

Em 1989, algumas centenas destas crianças juntaram-se na clínica de fertilidade criada por Robert Edwards e Patrick Steptoe – a primeira do género no mundo - para homenagear Steptoe, que tinha falecido no ano anterior.
 

Na altura, Louise Brown e a irmã, Natalie, que também nasceu graças a uma FIV realizada por esta equipa, plantaram uma árvore no jardim da clínica.
As duas irmãs regressaram a este jardim em 2013 para plantarem novas árvores, desta vez em homenagem aos pais, entretanto falecidos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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