Fertilização in vitro: causa de insucesso identificada

Estudo publicado no “Journal of Cell Science”

04 fevereiro 2015
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A possível causa de insucesso da fertilização in vitro em algumas mulheres foi identificada, dá conta um estudo publicado no “Journal of Cell Science”.
 

A fertilização in vitro tem uma taxa de sucesso de apenas 25%, em grande parte devido às elevadas taxas de insucesso associadas à implantação dos embriões. Na verdade, algumas mulheres sofrem falhas recorrentes na nidação, situação em que o embrião é transferido mas não é capaz de se fixar no endométrio, a membrana mucosa da parede uterina. Esta é uma causa importante de insucesso da fertilização in vitro, com a maioria das perdas do embrião a ocorrem nesta fase inicial.
 

Estudos anteriores indicaram que as mulheres que repetidamente têm este tipo de falha apresentam níveis alterados de microARN no endométrio. Assim, neste estudo, os investigadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, analisaram os níveis de microARN-145 e o seu alvo, um recetor conhecido por IGF1R.
 

O estudo apurou que o IGF1R desempenhava um papel, até à data desconhecido, no processo de nidação e quando a sua expressão é reduzida há risco elevado de o embrião não se conseguir fixar no endométrio.
 

John Aplin, que liderou o estudo, explicou que quando o embrião está pronto para ser implantado, a sua transferência é cuidadosamente programada para coincidir com a janela de recetividade máxima no útero.

 

“Esta janela está aberta não mais do que quarto dias. O nosso estudo sugere que a presença do IGF1R durante este período é necessária para que o embrião se fixe no útero”, acrescentou o investigador.

 

De acordo com os autores do estudo, o microRNA-145 desempenha um papel importante neste processo e a sua expressão excessiva inibe o crescimento do IGF1R. O estudo apurou que a variação dos níveis de microRNA-145 tinha um efeito direto no IGF1R.

 

Apesar destes resultados necessitarem de ser confirmados noutros estudos, os investigadores acreditam que o desenvolvimento de tratamentos que suprimiam o microRNA-145 pode conduzir a melhorias nas taxas de nidação.

 

“A repetição de ciclos de fertilização in vitro é stressante e pode ser muito dispendiosa. Uma maior compreensão dos mecanismos que controlam o seu sucesso ou insucesso pode conduzir diretamente a tratamentos que tornem os ciclos de fertilização in vitro mais eficazes para que os casais inférteis possam começar a constituir família”, conclui John Aplin.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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