Fertilização in vitro associada a paralisia cerebral

Estudo publicado no “Human Reproduction”

11 julho 2010
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As crianças que são concebidas através de tratamentos de infertilidade têm um maior risco de desenvolverem paralisia cerebral, sugere um estudo publicado no “Human Reproduction”.

 

A paralisia cerebral é caracterizada por uma perturbação do controlo da postura, movimento e equilíbrio que surge como consequência de uma lesão cerebral que atinge o cérebro no período do desenvolvimento da criança. Em algumas crianças, as perturbações podem ser ligeiras e estar associadas apenas ao movimento. Contudo, outras há que podem ser gravemente afectadas, apresentando incapacidade de andar e falar, problemas de visão e audição e atrasos mentais.

 

Apesar de ainda não se saber a causa exacta da paralisia cerebral, acredita-se que esteja relacionada com uma falha no desenvolvimento cerebral normal do feto. É sabido que os bebés prematuros ou de baixo peso à nascença têm um maior risco de desenvolver esta patologia do que os bebés de termo ou de peso normal.

 

Neste estudo, investigadores da University of Aarhusm, na Dinamarca, analisaram os dados de 588.967 crianças nascidas entre 1995 e 2003, 33.139 das quais tinham sido concebidas através de fertilização in vitro (FIV) ou com a ajuda de medicamentos para estimular os ovários a produzir óvulos.

 

O estudo revelou que, no total, cerca de 0,2% das crianças foram diagnosticadas com paralisia cerebral. Quando comparado com as crianças concebidas naturalmente, o risco de desenvolvimento da doença duplicou nas crianças concebidas através de FIV e foi 55% maior nas crianças para as quais foi necessária a utilização de medicamento para a fertilização.

 

Quando os investigadores tomaram em consideração os efeitos dos nascimentos múltiplos e partos pré-termo, a associação entre o tratamento de fertilidade e a paralisia cerebral desapareceu, indicando que estes dois factores são os responsáveis por esta associação.

 

De facto, os pesquisadores não encontraram um risco aumentado de paralisia cerebral entre bebés nascidos através de FIV.

 

Os resultados, de acordo com a equipa, liderada por Dorte Hvidtjorn, indicam que o risco de paralisia cerebral em crianças concebidas através de reprodução assistida está "fortemente associado" à elevada proporção de nascimentos múltiplos e partos prematuros. Neste estudo, 63% das crianças concebidas através de reprodução assistida eram prematuras, em comparação com os 33% das crianças concebidas naturalmente.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A
 

 

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