Fertilização in vitro, ácido fólico e gravidezes múltiplas

Estudo publicado na The Lancet

08 maio 2006
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As mulheres que se submetem a tratamento de fertilização in vitro (FIV) e ingerem grandes doses de ácido fólico podem ter mais probabilidades de gravidez múltipla, revelou um estudo publicado na revista científica The Lancet.
 

 

Cientistas da University of Aberdeen, Escócia, acompanharam 602 mulheres que realizaram FIV, medindo, ao longo dos meses, os níveis de ácido fólico no sangue. Do total das mulheres analisadas, 73% tomava diariamente a dose de ácido fólico recomendada; 9% tomava menos ou nada e cerca de 19% ingeria mais do que o recomendado.
 

Os cientistas descobriram que as mulheres com altos níveis de ácido fólico no sangue tinham 52% mais probabilidades de ter gravidez múltipla, no caso da implantação de vários embriões.
 

 

Os médicos poderiam ajudar a reduzir a incidência elevada de gravidezes múltiplas, aconselhando as mulheres a não excederem as doses do ácido fólico recomendadas. Mas a dieta não é o único factor, acrescentou o estudo. Um gene-chave que participa da metabolização do ácido fólico também poderia incidir nas possibilidades de uma gravidez bem-sucedida.
 

 

As mulheres submetidas a FIV foram efectuaram exames de seis tipos de um gene denominado MTHR, importante na decomposição do ácido fólico e no seu fornecimento ao corpo. As futuras mães que tinham uma cópia dupla da variante denominada CC do MTHR possuíam 76% menos probabilidades de concluir uma gravidez do que as mulheres com a variante "AA" deste mesmo gene. Estes resultados foram comparados com os de outro grupo, o de 932 mulheres que engravidaram de forma natural.
 

 

Em comentário, também publicado na The Lancet, o obstetra norte-americano Gary Steinman disse que a explicação poderia estar no "ambiente pobre em cálcio" do útero, conduzindo a uma separação prematura de grupos de células embrionárias, aumentando assim as probabilidades de se implantarem na parede uterina e se desenvolverem como fetos.
 

 

No artigo, Gary Steinman comenta um estudo anterior, o qual “por razões desconhecidas, acreditam os investigadores que o consumo de batata-doce por membros da tribo ioruba na Nigéria contribua para o índice anormalmente elevado de gémeos; (mas) quando se sai do campo para a cidade, com a correspondente mudança de dieta, o índice de gémeos cai significativamente”.
 

 

MNI- Médicos na Internet
 

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