Ferro associado ao risco de diabetes gestacional

Estudo publicado na revista “Diabetologia”

15 novembro 2016
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A presença de níveis elevados de biomarcadores do ferro está associada a um aumento do risco de diabetes gestacional. O estudo publicado na revista “Diabetologia” levanta assim questões sobre as recomendações relativas à toma de suplementos de ferro na gravidez.
 

O ferro é visto como uma faca de dois gumes para os sistemas vivos, uma vez que tanto o excesso como a escassez deste mineral são prejudiciais. As mulheres grávidas são particularmente vulneráveis à deficiência do ferro.  
 

Apesar de existirem poucas recomendações, incluindo a do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas que aconselham o rastreio e tratamento da deficiência de ferro apenas se for necessário, outros há, como é o caso da Organização Mundial de Saúde e dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças, que recomendam a suplementação rotineira de ferro para as mulheres grávidas. Alguns estudos têm sugerido a existência de uma possível ligação entre níveis elevados de ferro armazenado e um controlo anormal dos níveis de glucose em indivíduos não grávidos.
 

Neste estudo, os investigadores do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver e do Instituto de Saúde Nacional, nos EUA, contaram com a participação de 107 casos de diabetes gestacional e 214 controlos.
 

Os investigadores analisaram vários biomarcadores associados ao ferro, incluindo a hepicidina, ferritina e recetor da transferrina solúvel (sTfR, sigla em inglês). Estes dados foram utilizados para calcular a razão entre a sTfR e a ferritina, que captura as necessidades do ferro celular e a disponibilidade do ferro armazenado.
 

Estes marcadores foram medidos ou calculados quatro vezes durante a gravidez, duas vezes antes do diagnóstico da diabetes gestacional (entre a 10.ª e 26.ª semana) e as outras duas após (entre a 23.ª e a 39.ª semana).
 

Os cientistas verificaram que relativamente à hepidicina e ferritina, no segundo trimestre de gravidez, as pacientes que se encontravam no primeiro quartil dos níveis destes marcadores apresentavam um risco duas vezes e meia maior de desenvolver diabetes gestacional, comparativamente com aquelas encontradas no quartil inferior. Foram observados resultados semelhantes para os níveis de ferritina do primeiro trimestre.
 

De acordo com os investigadores, o ferro pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento da diabetes gestacional através de vários mecanismos. Uma vez que o ferro livre é um forte pró-oxidante pode promover várias reações celulares que produzem espécies reativas de oxigénio e aumentam os níveis do stress oxidativo. Este stress induzido pelo excesso da acumulação de ferro pode causar danos e morte das células beta pancreáticas que produzem insulina e, consequentemente, afetar a síntese e secreção da insulina. No fígado, os níveis elevados de ferro armazenado podem induzir resistência à insulina ao afetar a sinalização da hormona, assim como limitar a capacidade de o fígado extrair a insulina.
 

O estudo sugere que os níveis elevados de ferro armazenado podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento da diabetes gestacional, com início no primeiro trimestre.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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