Ferramentas novas contra as complicações cardíacas
01 abril 2002
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Um estudo clínico confirmou que uma droga da classe das estatinas, família de substâncias utilizadas para baixar o nível de colesterol no sangue, pode reduzir o risco de novos problemas em doentes cardíacos.
 

 

De acordo com o estudo, a administração de fluvostatina (uma estatina sintética) pode reduzir em cerca de um quinto (22 por cento) o risco de problemas cardíacos graves em doentes anteriormente sujeitos a angioplastias coronárias (PCI, sigla em inglês para Percutaneous Coronary Interventions).
 

 

"É convicção generalizada entre os cardiologistas que este é um efeito da classe das estatinas. Simplesmente, o primeiro estudo em larga escala e com resultados conclusivos refere-se apenas à fluvostatina", sublinhou em declarações à Agência Lusa João Sá, cardiologista do Hospital de São João (Porto).
 

 

O estudo internacional, patrocinado pela multinacional farmacêutica Novartis, foi realizado com base em 1.677 doentes recrutados em 57 centros de 10 países (Europa, Canadá, Brasil), acompanhados durante 3 a 4 anos.
 

 

Após a realização da PCI, foi administrado aos doentes ou uma dose de fluvostatina ou placebo (uma substância inócua para efeitos de comparação).
 

 

"O estudo demonstrou pela primeira vez num ensaio clínico neste público-alvo que um tratamento com uma droga da classe das estatinas previne futuros problemas cardíacos", sublinhou Patrick Serruys, professor no Hospital Universitário de Roterdão (Holanda) e investigador principal do estudo.
 

 

De acordo com Serruys, os dados do estudo apoiam a introdução de um tratamento à base de estatinas o mais cedo possível após a realização de PCI.
 

 

Em todo o mundo, são realizadas anualmente 1,8 milhões de intervenções deste tipo em doentes com placas significativas nas coronárias, que podem originar enfartes ou anginas de peito graves.
 

 

Corações portugueses
 

 

Em Portugal, segundo João Sá, realizam-se entre 8 mil e dez mil angioplastias coronárias por ano, um tipo de intervenção que tem vindo a aumentar mais devido à crescente fiabilidade e segurança da técnica do que pelo número de doentes.
 

 

Se 90 por cento dos doentes aos quais são realizadas PCI experimentam melhoras imediatas, 66 por cento acabam por morrer ou ter novos problemas cardíacos nos dez anos que se seguem à cirurgia.
 

 

Em certos grupos de alto risco, os benefícios da fluvostatina podem ser ainda maiores.
 

 

Segundo o estudo, os doentes com diabetes (12 por cento do total da população estudada) experimentaram uma redução de risco de 47 por cento, comparada com aqueles que tomaram placebo.
 

 

Os indivíduos com doença multiarterial (37 por cento do total) experimentaram uma redução de risco de 34 por cento.
 

 

O grupo Novartis, que emprega mais de 170 mil pessoas, obteve em 2001 resultados líquidos da ordem dos 4,2 mil milhões de dólares (4,7 mil milhões de euros) e investiu 2,5 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros) em Investigação e Desenvolvimento.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

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