Ferramenta ajuda a identificar mulheres em risco de pré-eclâmpsia

Estudo publicado no “The BMJ”

22 abril 2016
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Investigadores do Canadá desenvolveram uma nova ferramenta com o intuito de melhorar a identificação das mulheres que se encontram em risco elevado de desenvolverem pré-eclâmpsia e devem tomar ácido acetilsalicílico após as 12 semanas de gravidez, revela um estudo publicado no “The BMJ”.
 

As recomendações clínicas sugerem que as mulheres que se encontram em elevado risco de pré-eclâmpsia devem tomar ácido acetilsalicílico (aspirina) de baixa dose, entre a décima segunda e a vigésima semana de gravidez.
 

No estudo, os investigadores do Hospital St. Michael, no Canadá, identificaram vários fatores de risco que, isoladamente ou em conjunto, fornecem uma abordagem concisa e apoiada na evidência para a identificação destas mulheres.
 

Na opinião do líder do estudo, Joel Ray, apesar de a aspirina de baixa dose ser segura na gravidez, esta nova ferramenta ajuda a identificar as mulheres que não beneficiam desta terapia.
 

A pré-eclâmpsia afeta aproximadamente três por cento das mulheres e é caracterizada pelo aparecimento de pressão arterial elevada na gravidez. Esta condição pode causar um acidente vascular cerebral ou insuficiência renal e ainda colocar o feto em risco de parto prematuro e crescimento deficiente.
 

O estudo baseou-se na ideia de que as mulheres que apresentam um risco sete a dez vezes maior de desenvolverem pré-eclâmpsia são candidatas ideais para a terapia de prevenção com aspirina. Os investigadores analisaram estudos de coortes com pelo menos mil mulheres cada e observaram os resultados para determinar que fatores de risco individuais ultrapassavam esse limite.
 

Alguns dos fatores de risco identificados eram suficientemente fortes para as mulheres começarem a tomar a aspirina de baixa dose, caso tivessem um deles. Estes fatores incluíram terem tido pré-eclâmpsia, diabetes ou hipertensão crónica numa gravidez anterior. Os investigadores referem que ter apenas hipertensão crónica está associado a um risco absoluto de 16% maior de desenvolver pré-eclâmpsia, comparativamente com o risco de três por cento na ausência de hipertensão crónica ou outros fatores de risco.
 

Contudo, alguns fatores de risco não são suficientemente fortes. Deste modo, as mulheres têm de ter dois ou três fatores para iniciarem a terapia com aspirina, estes incluem: nado morto prévio ou separação da placenta da parede do útero, ou, na gravidez atual, doença renal crónica, gémeos, trigémeos, lúpus, estar grávida pela primeira vez, ou a idade da mãe ser superior a 40 anos.
 

O investigador concluiu que agora é possível identificar os fatores clínicos que influenciam mais a pré-eclâmpsia, sendo que nenhum deles necessita de um teste específico, e podem ser recolhidos, nomeadamente por um médico de família ou obstetra, durante as consultas de rotina.
 

“Apesar de a aspirina de baixa dose poder reduzir o risco de pré-eclâmpsia, queremos assegurar que apenas as mulheres que têm de facto um risco elevado tomam este medicamento, permitindo ao mesmo tempo a qualquer médico identificar essas pessoas”, conclui Joel Ray.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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