Feridas: "epidemia escondida" que requer formação específica

Considerações do especialista Paulo Alves

26 junho 2017
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As feridas são uma “epidemia escondida”, sendo “necessário que os profissionais de saúde tenham formação contínua e especializada” e uma forte aposta na prevenção, disse à agência Lusa o Paulo Alves, professor da Universidade Católica do Porto e especialista nesta área.
 
"É preciso que haja uma responsabilização por parte dos profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) para uma formação que faça a diferença no tratamento e na redução da prevalência das lesões que já existem, bem como na sua prevenção", indicou.
 
De acordo com o especialista, a ferida complexa não é muito abordada nos programas de licenciatura, sendo poucas as horas dedicadas a esse estudo, quer a nível da medicina quer ao nível de enfermagem, não existindo, no último caso, unidades curriculares voltadas só para o tratamento de feridas, nomeadamente das crónicas.
 
Embora o impacto das feridas não seja totalmente conhecido, devido à escassez de evidência científica que mostre os números associados à sua incidência e prevalência e os custos dos tratamentos, um estudo desenvolvido pelo docente, em 2015, mostrava que 33% dos doentes que recorreram aos serviços de saúde, entre 2013 e 2014, tinham uma ferida.
 
Para além disso, foi identificada uma taxa de infeção nos tecidos profundos em cerca de 18% dos casos, sendo o tempo médio de existência de uma ferida de 189 dias, o que se torna significativamente superior na ferida crónica em relação à aguda (412 e 32 dias, respetivamente).
 
Outras das conclusões indica que os portadores de ferida crónica têm, na sua maioria, entre 65 e 79 anos, não são ativos e possuem fatores de risco como a hipertensão (44,5%), a diabetes (25,1%) e a insuficiência venosa periférica (24,7%), o que dificulta a cicatrização.
 
Paulo Alves indicou ainda que o sistema de saúde nacional tem como indicador final a cicatrização. No entanto, no caso de doentes com ferida maligna, não se espera que esta cicatrize, mas sim que seja possível controlar os sintomas (dor e odor, por exemplo), para que estes tenham alguma qualidade de vida.
 
"O tratamento de feridas assenta numa complexa abordagem do indivíduo que está incapacitado e necessita de ser tratado, sendo mais do que uma simples execução do penso ou curativo", concluiu.
 
Uma distribuição eficaz dos recursos, de forma a chegar a um maior número de pacientes, e a avaliação da relação entre o custo e a eficácia de novas tecnologias na área do tratamento de feridas são, para o especialista, outros dos desafios para os profissionais de saúde desta área.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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