Fatores de risco cardiovascular podem prever risco de doença de Alzheimer

Estudo publicado na revista “Radiology”

30 julho 2015
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Os fatores de risco cardiovascular, como o consumo de álcool, tabagismo, obesidade e diabetes, estão associados a volumes cerebrais de determinadas regiões mais pequenos, o que poderá ser indicador da doença de Alzheimer e demência, sugere um estudo publicado na revista “Radiology”.
 

Estudos anteriores já tinham associado fatores de risco cardiovascular ao declínio cognitivo, mas neste estudo os investigadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, focaram-se em fatores de risco específicos e analisaram três regiões do cérebro, incluindo o hipocampo, o precuneus e o córtex cingulado posterior. Devido à ligação de cada uma destas regiões à recuperação da memória, a perda de massa cinzenta nestas áreas pode ser indicadora da doença de Alzheimer e demência.
 

Para o estudo os investigadores analisaram os dados de 1.629 indivíduos que foram divididos em dois grupos etários: 805 tinham menos de 50 anos e 824 mais de 50 anos. Foram avaliados os dados clínicos iniciais, que incluíram análises clínicas. Sete anos mais tarde os participantes foram submetidos a uma ressonância e a testes cognitivos, para medição de problemas cognitivos ligeiros e doença de Alzheimer pré-clínica.
 

Após terem comparado os fatores de risco cardiovasculares identificados na primeira visita com os resultados da ressonância magnética e testes cognitivos, os investigadores foram capazes de distinguir fatores de risco específicos, como consumo de álcool, tabagismo, diabetes e obesidade, bem como a sua relação com volumes menores em três regiões cerebrais. Os resultados confirmaram que pontuações mais baixas nos testes cognitivos estavam associados a menores volumes cerebrais.
 

O estudo apurou que a ingestão do álcool e a diabetes foram associadas a um menor volume cerebral total, enquanto o tabagismo e a obesidade foram associados a volumes menores do córtex cingulado posterior. Esta é uma área do cérebro que está ligada à recuperação da memória, assim como comportamento social e emocional. Verificou-se ainda que uma menor massa do hipocampo foi associada ao consumo de álcool e tabagismo, enquanto a ingestão de álcool, obesidade e níveis de glucose em jejum mais elevados estavam correlacionados com um tamanho menor do precuneus.
 

O estudo também sugere que nos pacientes com mais de 50 anos, o volume do hipocampo e de precuneus podem funcionar como indicadores precoces do declínio cognitivo. Um menor volume do córtex cingulado posterior pode funcionar como indicador para os pacientes com menos de 50 anos.
 

“Atualmente não temos um tratamento eficaz para a doença de Alzheimer, assim, o foco está na prevenção. No futuro, seremos talvez capazes de fornecer aos pacientes informação útil sobre o impacto que os diferentes fatores de risco podem ter na saúde cerebral durante um exame imagiológico de rotina”, conclui um dos autores do estudo, Kevin S. King.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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