Fatores de risco cardiovascular diminuem função cerebral

Estudo publicado na revista “Stroke”

07 maio 2013
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A função cerebral dos indivíduos com menos de 35 anos diminui à medida que os seus fatores de risco de doença cardíaca aumentam, sugere um estudo publicado na revista “Stroke”.
 

“A maioria das pessoas tem conhecimento dos efeitos negativos dos fatores de risco cardíacos como enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, distúrbios renais, mas não dão conta que estes também afetam a sua saúde cognitiva. O que é prejudicial para o coração também é para o cérebro”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Hanneke Joosten.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Groningen, na Holanda, contaram com a participação de 3.778 indivíduos, que tinham entre 35 e 82 anos de idade, os quais foram submetidos a testes para avaliação da função cognitiva, sendo medida a capacidade de planear, iniciar e alternar tarefas. Foi ainda aplicado um teste para aferir a função de memória, tendo os participantes sido ainda submetidos a uma escala de avaliação, The Framingham Risk Score, que determina o risco cardiovascular a 10 anos.
 

O estudo apurou que os participantes com mais sintomas de doença cardíaca tinham pontuações 50% mais baixas nos testes cognitivos, comparativamente com os que tinham um perfil de risco mais baixo. Foi também verificado que a pontuação obtida na escala de avaliação, idade, diabetes, mau colesterol e hábitos tabágicos foram associados a resultados cognitivos baixos.
 

Comparativamente com os não-fumadores, os indivíduos que fumavam entre um a 15 cigarros por dia apresentavam uma diminuição de 2,41 pontos nos resultados dos testes cognitivos, enquanto os que os fumavam mais de 16 cigarros por dia tinham uma diminuição de 3,43 pontos. As pontuações obtidas nos testes de memória tiveram uma tendência similar. Os investigadores verificaram que dois dos fatores de risco, diabetes e hábito tabágico, influenciavam bastante os resultados dos testes de avaliação da função cognitiva.
 

"Há claramente uma dose-resposta entre os fumadores. É provável que a cessação tabágica tenha um efeito benéfico na função cognitiva”, revelou o investigador.
 

Os profissionais de saúde necessitam de estar conscientes da função cognitiva dos pacientes com fatores de risco para doença cardiovascular. Os fatores de risco cardiovascular, especialmente aqueles que são modificáveis, como tabagismo e a obesidade, necessitam de uma atenção constante por parte dos profissionais de saúde, governo e indústria de alimentar. "Os programas de cessação tabágica podem não apenas prevenir o cancro, acidente vascular cerebral e eventos cardiovasculares, mas também danos cognitivos”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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