Fast food associada a exposição a químicos prejudiciais à saúde

Estudo publicado no “Environmental Health Perspectives”

09 maio 2016
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O consumo de fast food poderá estar relacionado com uma maior exposição a químicos prejudiciais à saúde, como os ftalatos, revela um estudo divulgado na publicação científica “Environmental Health Perspectives”.
 
O estudo liderado por Arni Zota, cientista na Escola de Saúde Pública do Instituto Milken, nos EUA, contou com a participação de 8.877 participantes que responderam a um questionário acerca da sua alimentação nas últimas 24 horas, nomeadamente, se consumiram algum tipo de fast food nesse período de tempo. Além disso, todos os participantes tiveram ainda de entregar uma amostra de urina para identificar a presença de ftalatos.
 
Os ftalatos são compostos químicos usados frequentemente em embalagens de produtos alimentares e em materiais usados na produção de fast food. Investigações anteriores sugerem que este tipo de químicos pode passar para os alimentos, contaminando-os. 
 
A análise dos dados recolhidos tanto a partir do questionário como do exame laboratorial à urina revelou que a quantidade de fast food consumida se encontrava relacionada com os níveis de ftalatos detetados no organismo, nomeadamente, o DEHP e o DiNP.
 
Os participantes que consumiram mais fast food revelaram níveis 23,8% mais elevados da presença de DEHP e quase 40% mais elevados de metabolitos DiNP na amostra de urina, quando comparados com os indivíduos que não consumiram fast food 24 horas antes do teste.
 
Os cientistas associaram ainda a carne e produtos com base em cereais (pão, bolos, piza, arroz e massas) a uma maior exposição a ftalatos. De acordo com Zota, outros estudos identificam também os cereais como uma fonte importante de exposição do organismo humano a estes químicos prejudiciais.
 
No que diz respeito à presença do bisfenol A (BPA), outro composto químico encontrado frequentemente em embalagens alimentares de plástico (e que se acredita estar associada a problemas de saúde e comportamentais), este estudo não encontrou qualquer relação entre o consumo de fast food e a presença deste químico no organismo. Contudo, os cientistas notam que os participantes que consumiram mais produtos de fast food à base de carne apresentavam níveis mais elevados de BPA do que aqueles que não consumiram este tipo de alimentos.
 
Apesar de estudos anteriores sugerirem que a exposição a químicos como os ftalatos podem ter um efeito negativo na saúde, os investigadores alertam para a necessidade de se realizarem estudos maiores que permitam confirmar de forma concludente a relação entre a presença dos ftalatos nos alimentos e problemas de saúde.
 
Entretanto, Zota desaconselha as pessoas com preocupações nesse âmbito a não consumir fast food, visto que considera que uma dieta composta por alimentos não processados oferece uma série de benefícios que vão muito além da questão dos ftalatos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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