Fármacos para a hipertensão reduzem risco de esclerose lateral amiotrófica

Estudo publicado na revista “JAMA Neurology”

13 novembro 2014
  |  Partilhar:

A toma de inibidores da enzima de conversão da angiotensina, utilizados no tratamento da hipertensão, está associada a um menor risco de desenvolvimento de esclerose lateral amiotrófica, dá conta um estudo publicado no “JAMA Neurology”.
 

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neuromotora que ataca as células dos neurónios motores do tronco cerebral, da espinal medula e do cérebro. Esta degeneração conduz à fraqueza muscular, afetando gradualmente o funcionamento do organismo e conduzindo, eventualmente, à morte.
 

Atualmente a esclerose lateral amiotrófica é tratada com o fármaco riluzol, que melhora a qualidade de vida dos pacientes, mas não cura a doença. Desta forma, a comunidade científica tem procurado encontrar novas formas de tratar esta condição ou reduzir o seu desenvolvimento.
 

Estudos anteriores constataram que um tipo de inibidores da enzima de conversão da angiotensina tinha um efeito positivo nos neurónios motores danificados. Este resultado sugere que este tipo de fármacos pode proteger as células nervosas dos pacientes com doenças neuromotoras.
 

Foi neste contexto que os investigadores do Hospital Universitário de Kaohsiung, na República da China, decidiram analisar se existia alguma associação entre a toma destes fármacos e o desenvolvimento da esclerose lateral amiotrófica.
 

O estudo envolveu a participação de 729 pacientes diagnosticados com esclerose lateral amiotrófica entre janeiro de 2002 e dezembro de 2008. Foram também incluídos no grupo de controlo 14.850 indivíduos saudáveis. Dos pacientes afetados pela doença, 15% tinha tomado inibidores da enzima de conversão da angiotensina dois a cinco anos antes do diagnóstico, enquanto no grupo de controlo esta percentagem foi de 18%.
 

Após terem medido o risco de desenvolvimento da doença nos dois grupos, os investigadores constataram que os pacientes a quem tinham sido prescritos inibidores da enzima de conversão da angiotensina com uma dose diária definida cumulativa, cDDD, (a DDD é definida pela Organização Mundial de Saúde como sendo a dose média diária de manutenção de determinada substância ativa, na sua principal indicação terapêutica, em adultos) de 449,5, tinham um risco 17% menor de desenvolver a doença. Os participantes que tinham tomado mais de 449,5 cDDD viram o seu risco de doença diminuir 57%.
 

Assim, estes resultados sugerem que a exposição prolongada aos inibidores da enzima de conversão da angiotensina está inversamente associada ao risco de desenvolver esclerose lateral amiotrófica.

 

Na opinião dos investigadores, estes fármacos podem reduzir o risco de esclerose lateral amiotrófica, protegendo os neurónios motores dos efeitos dos recetores de glutamato excessivamente ativados, reduzindo a neuroinflamação, o stress oxidativo e mantendo níveis normais de vitamina E.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.