Fármacos eficazes em cancro da mama triplo negativo

Estudo conduzido pela Alpert Medical School da Brown University, EUA

31 dezembro 2013
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Um tratamento pré-operatório com fármacos de quimioterapia tem-se mostrado promissor em mulheres com cancro da mama triplo negativo.

 

O estudo que foi apresentado no San Antonio Breast Cancer Symposium de 2013, EUA, tendo decorrido entre 10 a 14 de dezembro, demonstrou que o tratamento pré-cirúrgico de quimioterapia com o fármaco carboplatina e/ou terapia de anticorpos com bevacizumab fazia aumentar o número de mulheres sem cancro residual na altura da cirurgia.

 

Este inovador tratamento de quimioterapia, denominado terapia neoadjuvante, está a ser cada vez mais empregue em pacientes com cancro da mama triplo negativo em fase pré-operatória. Num terço destas pacientes não se tem identificado qualquer célula cancerígena no tecido mamário ou nódulo linfático retirados na cirurgia., revelando um risco muito menos de reincidência do cancro em comparação com pacientes que não tenham respondido tão bem a este tipo de tratamento.

 

William Sikov, médico e professor associado de medicina na Warren Alpert Medical School da Brown University mostra-se muito otimista com os resultados do estudo, que está na fase II de ensaio: “É com satisfação que informamos que a junção de qualquer uma dessas terapias aumentou significativamente a percentagem de pacientes nas quais o cancro foi eliminado da mama, e que a junção de ambas foi ainda mais eficiente”.

 

A equipa de investigadores contou com a participação de 443 pacientes com cancro da mama triplo negativo, operável, nos estádios 2 e 3. As pacientes foram divididas aleatoriamente para receberem quimioterapia neoadjuvante normal, quimioterapia neoadjuvante normal mais carboplatina, quimioterapia neoadjuvante normal mais bevacizumab e quimioterapia neoadjuvante normal mais carboplatina e bevacizumab. As pacientes foram submetidas a cirurgia entre quatro e oito semanas após o fim do tratamento neoadjuvante.

 

Das 108 pacientes que tinham recebido apenas quimioterapia neoadjuvante normal o cancro tinha sido eliminado em 42% das mesmas, sendo de 39% a eliminação do cancro da mama e de nódulos linfáticos. Para as 110 pacientes que receberam quimioterapia neoadjuvante normal mais bevacizumab, os valores aumentaram para 50% e 43%, respetivamente. As 113 pacientes que receberam quimioterapia neoadjuvante normal mais carboplatina viram os valores subir para 53% e 49%, respetivamente. Finalmente, nas pacientes que receberam quimioterapia neoadjuvante normal mais carboplatina e bevacizumab, os valores foram de 67% e de 60%, respetivamente.

 

Face aos resultados, os investigadores comentam que “apesar de os nossos resultados demosntrarem aumentos nas percentagens de resposta com a carboplatina e bevacizumab, ainda não sabemos qual será o impacto, se é que haverá algum, dessas diferenças na reincidência do cancro ou nos óbitos. Embora o estudo não seja suficientemente extensor para detetar diferenças significativas nesses pontos, estamos a planear seguir pacientes por um período de 10 anos após a operação para ver se os resultados dos tratamentos no âmbito da investigação nas pacientes sugerem benefícios de longo-termo”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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