Fármacos anticancerígenos: novo método de seleção personalizado

Estudo publicado na revista “Clinical Cancer Research”

20 fevereiro 2013
  |  Partilhar:

Investigadores americanos desenvolveram um método capaz de selecionar o tratamento quimioterápico de uma forma personalizada, dá conta um estudo publicado na revista “Clinical Cancer Research”.
 

Os oncologistas escolhem tipicamente os fármacos anticancerígenos com base na localização dos órgãos afetados e ou a aparência e atividade das células cancerígenas quando visualizadas ao microscópio. Algumas empresas comercializam testes que podem ser utilizados em amostras de cancro que são removidas cirurgicamente. Contudo, de acordo com um dos autores do estudo, Anirban Maitra, as amostras de tecido utilizadas nestes testes podem estar alteradas devido à utilização de anestésicos durante a cirurgia ou durante o seu transporte até ao laboratório, ficando desta forma os resultados comprometidos.
 

O investigador acrescenta que a utilização de linhas celulares representa melhor, e com um grau de precisão mais elevado, os tumores, podendo adicionalmente ser testada contra qualquer bateria de fármacos para verificar a sua resposta.
 

Neste estudo os investigadores do Johns Hopkins Kimmel Cancer Center, nos EUA, desenvolveram um teste que envolveu a produção de linhas celulares a partir dos tumores dos pacientes. Os investigadores começaram por injetar células tumorais dos ovários e do pâncreas humanas em ratinhos geneticamente modificados para promover o crescimento tumoral. Após os tumores terem crescido, até 1 centímetro de diâmetro, foram transferidos para um meio de cultura para serem estudados e se proceder aos testes de fármacos anticancerígenos.
 

Numa única experiência os investigadores foram capazes de eleger os dois fármacos anticancerígenos mais eficazes, entre as cerca de 3.000 possibilidades.
 

Este novo método foi desenhado para ultrapassar um dos principais problemas do crescimento das linhas celulares humanas em laboratório, nomeadamente a tendência das células saudáveis crescerem em demasia. Como consequência, tem sido impossível proceder à criação de linhas celulares para determinados tipos de cancro. Por outro lado, um dos autores do estudo, James Eshleman, refere que as linhas celulares até então produzidas não refletem adequadamente a doença.
 

De forma a tentar resolver o problema da sobrepopulação das células não cancerígenas, os investigadores cruzaram ratinhos geneticamente modificados e substituíram este tipo de células por células de ratinhos, as quais não são destruídas pelos químicos. Assim, com utilização deste método os investigadores certificaram-se que apenas as células tumorais humanas eram envolvidas no estudo de identificação de fármacos anticancerígenos eficazes.
 

Os autores do estudo concluíram que se for comprovado o sucesso desta técnica em investigações futuras, esta poderá substituir os testes laboratoriais atuais de forma a otimizar o processo de seleção dos fármacos anticancerígenos o qual tem mostrado ser tecnicamente desafiador, de uso limitado e lento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.