Fármaco utilizado na dor e epilepsia associado a anomalias congénitas

Estudo publicado na revista “Neurology”

24 maio 2016
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Um fármaco habitualmente utilizado no tratamento da dor, epilepsia, ansiedade e outros problemas cerebrais pode estar associado a um risco aumentado de anomalias congénitas major, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

O fármaco pregabalina está aprovado pela FDA para o tratamento da epilepsia, fibromialgia, dor neuropática, ansiedade generalizada e outros problemas mentais.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Lausanne, na Suíça, recolheram informação de 164 mulheres, de sete países, que tomaram pregabalina durante a gravidez e de 656 mulheres grávidas que não tomaram. As mulheres ou as parteiras foram contactadas novamente após a data prevista do parto.
 

O estudo apurou que as mulheres grávidas que tomaram pregabalina durante o primeiro trimestre de gravidez eram três vez mais propensas a terem bebés com anomalias congénitas major do que as mulheres que não tinham tomado este tipo de fármaco.
 

Os investigadores verificaram que seis por cento das mulheres que tomaram pregabalina deram à luz bebés com anomalias congénitas, comparativamente com os dois por cento observados nas grávidas que não tomaram este fármaco. Os principais problemas detetados foram defeitos cardíacos e problemas estruturais com o sistema nervoso central ou outros órgãos.
 

As mulheres que tomaram a pregabalina apresentaram um risco seis vezes maior de terem bebés com defeitos no sistema nervoso central do que as mulheres que não tomaram o fármaco (3,2 % versus 0,5%).
 

Entre as mulheres que tomaram pregabalina, 115 fizeram-no para tratar a dor neuropática, 39 para doenças psiquiátricas, incluindo depressão, ansiedade, doença bipolar e psicose, cinco para o tratamento da epilepsia e uma para a síndrome da perna inquieta.
 

Um total de 77% das mulheres começou a tomar pregabalina antes de ficarem grávidas. As participantes deixaram de tomar, em média, o fármaco aos seis meses de gravidez. Das mulheres que tomavam pregabalina, 13% também tomavam outro fármaco anticonvulsivo.
 

Ursula Winterfeld, uma das autoras do estudo, refere que apesar de não se conseguir retirar conclusões definitivas do estudo, os resultados sugerem que há de facto um risco aumentado de anomalias congénitas major após a toma de pregabalina ao longo do primeiro trimestre de gravidez.
 

“A pregabalina deve ser prescrita para mulheres em idade fértil só depois de se certificar que os benefícios do fármaco superam os riscos, e devem ser orientadas sobre a utilização de métodos anticoncecionais. Nos casos de as mulheres tomarem pregabalina durante a gravidez, deve ser feita uma monitorização fetal mais cuidada”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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