Fármaco utilizado na cessação tabágica não aumenta risco de doença cardíaca e depressão

Estudo publicado na “The Lancet Respiratory Medicine”

10 setembro 2015
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O fármaco utilizado na cessação tabágica (vareniclina) não aumenta o risco de depressão e doença cardíaca, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet Respiratory Medicine”.
 
O vareniclina, aprovado em 2006 pela Food and Drug Administration (FDA), impede que a nicotina se ligue os recetores da nicotina no cérebro, reduzindo a libertação de dopamina – um neurotransmissor que regula os centros de recompensa e prazer no cérebro. Acredita-se que a redução nos níveis de dopamina reduzam o desejo de nicotina.
 
Estudos anteriores têm sugerido que a vareniclina pode aumentar o risco de problemas mentais. Por outro lado, um estudo recente defendeu que este fármaco estava associado a um aumento do risco de eventos cardiovasculares severos, como enfarte agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca.
 
Neste estudo, investigadores do Reino Unido e da Alemanha decidiram averiguar quais os potenciais efeitos secundários da vareniclina, tendo para tal utilizado dados de mais de 150 mil indivíduos que tentaram deixar de fumar.
 
Alguns participantes utilizaram a terapia de substituição de nicotina, como pastilhas de nicotina ou adesivos, para ajudar na cessação tabágica, enquanto outros tinham tomado vareniclina ou outro fármaco antitabágico denominado bupropiona.
 
Os participantes foram acompanhados ao longo de seis meses, tendo sido monitorizada a incidência de doenças cardíacas, depressão e autoflagelação.
 
O estudo apurou que, comparativamente com os participantes submetidos à terapia de substituição de nicotina, aqueles que tomaram vareniclina ou bupropiona não estavam em maior risco de doença cardíaca, depressão ou autoflagelação. Na verdade, a toma de vareniclina foi associada a um menor risco de insuficiência cardíaca, acidente vascular isquémico e arritmia.
 
Os autores do estudo concluem assim que a toma de vareniclina é um meio seguro e eficaz para deixar de fumar.
 
“Com base na nossa extensa análise, acreditamos que é altamente improvável que a vareniclina tenha quaisquer efeitos adversos significativos na saúde cardíaca ou mental. Os reguladores como a FDA devem rever o alerta dado relativamente à vareniclina, pois pode desnecessariamente limitar o acesso a este tipo de apoio eficaz à cessação tabágica”, conclui o coautor do estudo, Aziz Sheikh.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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