Fármaco usado para abortar provoca partos prematuros

Estudo realizado pelo hospital Amadora-Sintra

09 setembro 2004
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Um estudo realizado no Hospital Amadora-Sintra entre 1996 e 2003 veio revelar que um fármaco indicado para úlceras, está a ser usado pelas mulheres para abortar depois dos seis meses de gestação. O medicamento em questão, quando usado tardiamente, pode conduzir a um parto prematuro. Muitos dos bebés nascem com problemas graves de saúde, de acordo com a edição desta sexta-feira do Público. Segundo este estudo, já muito antes da fundadora da organização Women on Waves ter vindo a público explicar como utilizar este medicamento para abortar, as «potencialidades» do fármaco já eram do conhecimento de muitas mulheres portuguesas. De acordo com a presidente da Comissão Nacional para a Saúde Infantil e do Adolescente, Maria do Céu Machado, coordenadora deste estudo, dão entrada no Hospital Amadora-Sintra mulheres em trabalho de parto com «a vagina cheia de comprimidos de misoprostol», às vezes com «seis vezes a dose terapêutica», o que provoca «dores fortes» e muito sofrimento. Segundo esta responsável, há «um número crescente de grávidas que fazem um uso tardio do fármaco, por vezes depois das 24 semanas de gestação (seis meses), não tendo noção da viabilidade daquele feto». O misoprostol isolado é pouco eficaz no primeiro trimestre da gravidez, com expulsão do feto em apenas nove a 20 por cento dos casos. Nos segundo e terceiros trimestres é mais fácil induzir o parto, precisou a especialista. «Estas mulheres acabam por ficar com uma criança viva cheia de problemas de saúde», por vezes «sequelas neurológicas, como a paralisia cerebral». Os bebés nascidos desta forma adoecem mais com problemas cardíacos e pulmonares, referiu, por sua vez, a pediatra Manuela Escumalha, autora do estudo efectuado na Unidade de Neonatologia daquele hospital. Em 30 por cento dos casos, estas crianças vão para adopção e para instituições de acolhimento. As mães acabam por ficar com os bebés em 70 por cento dos casos. Fonte: Público

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